Caderno de Saúde 02

Perfil Epidemiológico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Município


1. Apresentação

Este caderno apresenta o perfil epidemiológico e de morbimortalidade de Concórdia do Pará, com o objetivo de subsidiar a elaboração do Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029. O diagnóstico situacional aqui consolidado abrange os principais indicadores de morbidade, mortalidade, saúde materno-infantil e cobertura vacinal, organizados a partir dos sistemas nacionais de informação em saúde e das metas do plano anterior (PMS 2022-2025).

Concórdia do Pará é um município de pequeno porte localizado na região amazônica paraense, com população estimada de 28.270 habitantes em 2025. A estrutura demográfica revela um perfil relativamente jovem: 25,3% da população são crianças (0 a 14 anos), 9,8% adolescentes (15 a 19 anos), 54,9% adultos (20 a 59 anos) e 10,0% idosos (60 anos ou mais). O índice de dependência é de 54,6%, indicando que mais da metade da população em idade ativa sustenta a demanda de dependentes.

A série histórica populacional (2022-2025) mostra leve tendência de estabilização, com decréscimo marginal de 28.560 para 28.270 habitantes. A população infantil (0-4 anos) reduziu-se de 2.479 (2022) para 2.198 (2025), o que pode impactar a demanda por serviços materno-infantis e cobertura vacinal. Em contrapartida, a população idosa cresceu de 2.559 para 2.823 no mesmo período, sinalizando aumento progressivo da demanda por atenção a doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

Fontes de dados utilizadas: PMS 2022-2025 de Concórdia do Pará (linhas de base e metas pactuadas), alertas críticos do quadriênio 2022-2025 (relatórios de gestão), definições de indicadores do Data Warehouse Akapu (SIM, SINASC, SINAN, SIHD, CNES) e dados demográficos IBGE via Data Warehouse Akapu, com fonte IBGE/SIDRA e Censo Demográfico 2022.
Nota metodológica: Concórdia do Pará é um município de Porte I, com volumes pequenos de eventos em saúde. Em populações menores de 50.000 habitantes, flutuações anuais de poucos casos podem produzir variações percentuais expressivas nos indicadores. A análise privilegia, sempre que possível, a tendência da série histórica em vez de valores pontuais isolados.

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Perfil epidemiológico de Concórdia do Pará a partir do SIM, SINASC, SINAN, SIH/SUS e SISAB. Detalhes e fontes nas seções seguintes.

Indicadores-chave
  • Mortalidade por causas externas: 118,5/100 mil hab (65% acima da média nacional)
  • Homicídios: 59/100 mil hab (3x média nacional); 80% por armas de fogo
  • Gravidez na adolescência: 30% dos NV (mães 10-19; ~2x média nacional)
  • Pré-natal 7+ consultas: 39,7% (linha de base)
  • Citologia: 0,23 (meta 0,50+); mamografia: 0,13 (meta 0,30+)
  • Consultas APS/hab/ano: 1,21 (2025) vs parâmetro 2-3
Achados críticos
  • Causas externas em escalada: 45 óbitos em 2025 (pior da série, 159,2/100 mil); 71,6% fora de estabelecimentos
  • Vítimas de homicídio: 90% homens, 89% pardos/pretos, 59% entre 20-39 anos
  • Mais de 60% das gestantes sem pré-natal adequado; risco de mortalidade materna/infantil
  • Rastreamento de câncer feminino muito abaixo do parâmetro; diagnóstico tardio
  • Precarização extrema (77-88% médicos e 94-97% enfermeiros temporários)
Recomendações ao PMS 2026-2029
  • Plano municipal de prevenção da violência integrado com segurança pública e Justiça
  • Linha de cuidado materno-infantil com captação no 1º trimestre e PSE robusto
  • Rastreamento ativo de câncer feminino com meta de citologia ≥0,50 e mamografia ≥0,30
  • Estratificação de risco cardiovascular em 100% das eSF
  • Reduzir mortalidade prematura por DCNT (alvo 14,0/100 mil ou abaixo)

2. Perfil de Morbidade

A base local do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registra 1.323 notificações consolidadas no município. O perfil é dominado por agravos relacionados a acidentes e exposições ambientais: outros acidentes em local não especificado (W64) somam 570 notificações, contato com animal e planta venenosos não especificados (X29) 237, fatores relacionados a condições de trabalho (Y96) 162, agressão por meios não especificados (Y09) 82, tuberculose respiratória sem confirmação bacteriológica (A16.9) 41, efeitos tóxicos não especificados (T65.9) 24, sífilis não especificada (A53.9) 23 e doença pelo HIV resultando em outras condições especificadas (B24) 22. A predominância de causas externas (W64, X29, Y96, Y09) somando 1.051 notificações confirma o quadro destacado no resumo executivo: causas externas e exposições ocupacionais como prioridade da vigilância municipal.

2.1. Doenças Transmissíveis

2.1.1. Dengue e arboviroses

Concórdia do Pará, como todo município da Região Amazônica, está inserida em área de risco permanente para arboviroses. O PMS 2022-2025 estabeleceu como meta manter em zero o número de óbitos por dengue (meta 7.1.18), indicando que o município já registrava circulação viral, embora sem letalidade no período de referência.

IndicadorLinha de base (PMS 2022-2025)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Óbitos por dengue (número absoluto)000
Ciclos com 80%+ de cobertura de imóveis visitados5 ciclos5 ciclos6 ciclos

A meta de zero óbitos por arboviroses foi aparentemente cumprida no quadriênio anterior. Contudo, a ausência de dados granulares de notificação impede avaliar a incidência e a tendência dos casos não fatais. A intensificação dos ciclos de visita domiciliar (de 5 para 6 ciclos) no novo plano sugere reconhecimento de risco crescente.

2.1.2. Malária

Por estar na Região Amazônica, a malária é agravo de vigilância obrigatória. O PMS 2022-2025 fixou como meta manter a Incidência Parasitária Anual (IPA) em 0% (meta 7.1.17), reforçando que o município tinha controle sobre a transmissão autóctone.

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
IPA de malária (casos autóctones)0%0%0%

A manutenção da meta zero para malária autóctone em ambos os planos indica cenário favorável, mas a vigilância precisa ser mantida em razão da localização geográfica e da existência de áreas rurais com potencial de transmissão.

2.1.3. Hanseníase

Hanseníase é doença endêmica no Pará, que historicamente apresenta altas taxas de detecção. O PMS 2022-2025 estabeleceu metas ambiciosas para cura de casos novos e exame de contatos intradomiciliares.

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
Proporção de cura de casos novos (coortes)95%95%100%
Proporção de contatos intradomiciliares examinados90%90%99%

As linhas de base já eram elevadas (95% de cura, 90% de contatos examinados), indicando capacidade operacional da vigilância epidemiológica. A elevação das metas para 100% e 99% no PMS 2026-2029 revela compromisso com a eliminação da doença como problema de saúde pública. O desafio é garantir busca ativa em localidades rurais de difícil acesso.

2.1.4. Tuberculose

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Cura de TB pulmonar bacilífera80%90%99%
Testagem anti-HIV em casos novos de TB100%100%100%

A proporção de cura partiu de 80% em 2022, com meta progressiva até 90%. O salto para 99% no novo plano é ambicioso e requer investimento em tratamento diretamente observado (TDO), busca de faltosos e articulação com a Atenção Primária. A testagem para HIV em 100% dos casos é indicador já consolidado.

2.1.5. Sífilis

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Casos novos de sífilis congênita (menores de 1 ano)1 casoManter em 11,10

A manutenção de apenas 1 caso de sífilis congênita como linha de base sugere que o município tem baixa incidência, possivelmente com subnotificação. A meta de 1,10 para 2026-2029, ligeiramente superior, pode refletir expectativa de melhoria na capacidade de detecção. A meta ideal seria zero casos de sífilis congênita.

2.1.6. HIV/Aids

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
Casos novos de aids em menores de 5 anos0010 (ver nota)
Diagnóstico tardio de HIV (CD4 < 200)151517
Testes anti-HCV realizados1.2001.2001.320
Nota: O valor de 10 para aids em menores de 5 anos no PMS 2026-2029 parece ser inconsistência no preenchimento do plano, considerando que a meta anterior era zero. Recomenda-se verificação e correção.

O indicador de diagnóstico tardio (CD4 < 200) com linha de base de 15 casos merece atenção, pois indica que parcela significativa dos diagnósticos de HIV no município ocorre em fase avançada da doença. A ampliação da testagem para hepatite C (de 1.200 para 1.320 testes) é positiva.

2.1.7. Leishmaniose visceral

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
Óbitos por leishmaniose visceral000

O município mantém meta zero para óbitos por leishmaniose visceral. Não há dados disponíveis sobre incidência de casos não fatais.

2.2. Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

2.2.1. Mortalidade prematura por DCNT (30 a 69 anos)

Este é o indicador mais crítico para o perfil de DCNT do município. Engloba as quatro principais causas: doenças do aparelho circulatório (CID I00-I99), neoplasias (C00-C97), diabetes (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36).

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Taxa de mortalidade prematura (30-69 anos) por DCNT17,0014,0015,40

A população na faixa de 30 a 69 anos de Concórdia do Pará em 2025 era de aproximadamente 12.074 pessoas (soma das faixas 30-39: 4.405 + 40-49: 3.676 + 50-59: 2.486 + 60-69: 1.507).

A linha de base de 17,00 (por 100.000 habitantes na faixa) em 2022, com meta de redução para 14,00 até 2025, demonstra preocupação com o cenário. A meta 2026-2029 de 15,40 aparenta ser mais conservadora, possivelmente refletindo dificuldade em atingir a meta anterior. As ações de incentivo a alimentação saudável (meta 3.2.1: 100% das equipes) e atividade física nas UBS (meta 3.2.2: de 20% para 80%) são estratégias de promoção voltadas à redução das DCNT.

2.2.2. Hipertensão e diabetes

Dados específicos de prevalência de hipertensão arterial e diabetes mellitus na população de Concórdia do Pará não estão disponíveis de forma isolada no Data Warehouse. A morbidade por essas condições é capturada indiretamente por dois indicadores:

ICSAB: internações por condições sensíveis à Atenção Básica (seção 4 deste caderno), onde hipertensão e diabetes figuram entre as principais causas.

Mortalidade prematura por DCNT: onde doenças do aparelho circulatório e diabetes estão incluídas (CID I00-I99, E10-E14).

2.3. Agravos

2.3.1. Violência

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Unidades com notificação contínua de violência1 unidade (1%)100%100%

Em 2022, apenas 1 unidade de saúde realizava notificação contínua de violência. A meta de 100% das unidades com notificação representou uma mudança estrutural na vigilância de agravos. A manutenção da meta em 100% para 2026-2029 indica consolidação do processo.

2.3.2. Acidentes e causas externas

Indicador202220242025Variação
Internações por causas externas258334396+53,5% no quinquênio
ALERTA: O crescimento de 53,5% nas internações por causas externas (acidentes e violência que geram internação) é um dos alertas mais críticos do quadriênio. Este agravo demanda investigação mais detalhada por tipo de causa externa (acidentes de trânsito, quedas, agressões) para direcionar políticas de prevenção no PMS 2026-2029.

2.3.3. Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária

Em 2025, o SINAN registrou 367 notificações de residentes no município. Os maiores volumes foram Atendimento anti-rábico humano (128), Acidente de trabalho grave (73), Acidente por animais peçonhentos (65), o que orienta a vigilância para exposições ambientais, eventos ocupacionais, agravos transmissíveis e linhas de cuidado que precisam aparecer no PMS 2026-2029.

Quadro-síntese - Notificações SINAN 2025 por agravo, sexo e idade
AgravoTotal 2025MasculinoFemininoIgnoradoMediana de idadeFaixa predominante
Atendimento anti-rábico humano1287157032,530-39 anos
Acidente de trabalho grave7368503120-29 anos
Acidente por animais peçonhentos65392602620-29 anos
Violencia interpessoal/autoprovocada29101902320-29 anos
Intoxicação exógena116502320-29 anos
Tuberculose119203430-39 anos
Sífilis não especificada83504140-49 anos
Aids64203230-39 anos
Meningite55003610-14 anos
Acidente de trabalho com exposição a material biológico40405150-59 anos
Hanseníase413030,530-39 anos
Sífilis em gestante40402620-29 anos
Gestante com HIV30302620-29 anos
Hepatites virais31203830-39 anos
Leishmaniose tegumentar americana32104540-49 anos
Outras febres virais transmitidas por artropodes30304540-49 anos
Leptospirose21102630-39 anos
Doença de Chagas aguda10100< 1 ano
Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério10103030-39 anos
Sífilis congênita10100< 1 ano
Toxoplasmose11004340-49 anos
Toxoplasmose congênita10100< 1 ano

A tabela detalhada abaixo abre os agravos com cinco ou mais notificações em 2025. Para preservar a leitura epidemiologica sem superexpor eventos raros, os agravos com menos de cinco registros sao tratados em prosa ao final da subseção.

Detalhamento - Agravos com 5 ou mais notificações por sexo e faixa etária
AgravoFaixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
Atendimento anti-rábico humano< 1 ano1010,8%
Atendimento anti-rábico humano1-4 anos55107,8%
Atendimento anti-rábico humano5-9 anos75129,4%
Atendimento anti-rábico humano10-14 anos4264,7%
Atendimento anti-rábico humano15-19 anos65118,6%
Atendimento anti-rábico humano20-29 anos4121612,5%
Atendimento anti-rábico humano30-39 anos9101914,8%
Atendimento anti-rábico humano40-49 anos961511,7%
Atendimento anti-rábico humano50-59 anos1271914,8%
Atendimento anti-rábico humano60-69 anos4375,5%
Atendimento anti-rábico humano70+ anos102129,4%
Acidente de trabalho grave15-19 anos2022,7%
Acidente de trabalho grave20-29 anos2342737,0%
Acidente de trabalho grave30-39 anos2502534,2%
Acidente de trabalho grave40-49 anos1111216,4%
Acidente de trabalho grave50-59 anos4045,5%
Acidente de trabalho grave60-69 anos1011,4%
Acidente de trabalho grave70+ anos2022,7%
Acidente por animais peçonhentos< 1 ano0111,5%
Acidente por animais peçonhentos1-4 anos1011,5%
Acidente por animais peçonhentos5-9 anos2246,2%
Acidente por animais peçonhentos10-14 anos53812,3%
Acidente por animais peçonhentos15-19 anos2357,7%
Acidente por animais peçonhentos20-29 anos881624,6%
Acidente por animais peçonhentos30-39 anos2469,2%
Acidente por animais peçonhentos40-49 anos63913,8%
Acidente por animais peçonhentos50-59 anos4157,7%
Acidente por animais peçonhentos60-69 anos5169,2%
Acidente por animais peçonhentos70+ anos4046,2%
Violencia interpessoal/autoprovocada10-14 anos25724,1%
Violencia interpessoal/autoprovocada15-19 anos13413,8%
Violencia interpessoal/autoprovocada20-29 anos45931,0%
Violencia interpessoal/autoprovocada30-39 anos14517,2%
Violencia interpessoal/autoprovocada40-49 anos1126,9%
Violencia interpessoal/autoprovocada50-59 anos1126,9%
Intoxicação exógena10-14 anos1019,1%
Intoxicação exógena15-19 anos11218,2%
Intoxicação exógena20-29 anos22436,4%
Intoxicação exógena30-39 anos0119,1%
Intoxicação exógena40-49 anos11218,2%
Intoxicação exógena60-69 anos1019,1%
Tuberculose15-19 anos1019,1%
Tuberculose20-29 anos20218,2%
Tuberculose30-39 anos30327,3%
Tuberculose40-49 anos0119,1%
Tuberculose50-59 anos11218,2%
Tuberculose60-69 anos1019,1%
Tuberculose70+ anos1019,1%
Sífilis não especificada15-19 anos01112,5%
Sífilis não especificada20-29 anos11225,0%
Sífilis não especificada40-49 anos21337,5%
Sífilis não especificada50-59 anos02225,0%
Aids10-14 anos01116,7%
Aids20-29 anos10116,7%
Aids30-39 anos31466,7%
Meningite10-14 anos20240,0%
Meningite30-39 anos10120,0%
Meningite40-49 anos20240,0%

A distribuição por sexo e idade concentra a agenda de vigilância em três frentes: acidentes e exposições ambientais com participação masculina importante, acidente de trabalho grave quase exclusivamente masculino em adultos jovens e violência com predomínio feminino em adolescentes e adultas jovens. O PMS 2026-2029 deve combinar prevenção territorial, educação em saúde, notificação contínua nas UBS e fluxos de cuidado para agravos sensíveis como tuberculose, sífilis, HIV/aids e violência.

Demais agravos com volume residual em 2025: Acidente de trabalho com exposição a material biológico (4 casos); Hanseníase (4 casos); Sífilis em gestante (4 casos); Gestante com HIV (3 casos); Hepatites virais (3 casos); Leishmaniose tegumentar americana (3 casos); Outras febres virais transmitidas por artrópodes (3 casos); Leptospirose (2 casos); Doença de Chagas aguda (1 caso); Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério (1 caso); Sífilis congênita (1 caso); Toxoplasmose (1 caso); Toxoplasmose congênita (1 caso). Esses registros não devem ser ignorados, mas seu baixo volume recomenda leitura caso a caso pela vigilância, sem inferir taxa estável por sexo ou faixa etária.

Fonte: SINAN, base local municipal, residentes no município, ano de notificação 2025. Consulta consolidada em abril/2026; dados sujeitos a revisão pela rotina de fechamento das bases oficiais.

3. Perfil de Mortalidade

A base local do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registra, no quadriênio 2022-2025, totais anuais de 146 óbitos em 2022, 140 em 2023, 159 em 2024 e 154 em 2025, com tendência de leve crescimento absoluto. As causas externas saltaram de 18 óbitos em 2022 para 41 óbitos em 2025, com pico intermediário de 32 em 2023 e 25 em 2024, configurando o principal alerta epidemiológico do período. As doenças do aparelho circulatório mantiveram-se estáveis em torno de 31 a 39 óbitos/ano, e as neoplasias entre 14 e 20. No agregado, os principais capítulos CID-10 do quadriênio são IX. Aparelho circulatório com 144 óbitos, XX. Causas externas com 116, II. Neoplasias com 70, X. Aparelho respiratório com 56 e IV. Endócrinas, nutricionais e metabólicas com 51. Não foram registrados óbitos infantis no SIM no período, o que pode indicar tanto melhoria efetiva quanto subnotificação a investigar.

3.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito

O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.

AnoTotal de óbitosMal definidas (R00-R99)% mal definidas
202214653,4%
202314032,1%
202415974,4%
202515453,2%
Qualidade da causa básica: no quadriênio, 20 de 599 óbitos ficaram em R00-R99 (3,3%). A meta nacional de referência é manter mal definidas abaixo de 5%; quando o percentual municipal fica acima disso, a primeira intervenção do PMS deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade.
Capítulo prioritárioCID-10DescriçãoÓbitos% do capítulo% do total
IX. Aparelho circulatorioI64Acidente vascular cerebral nao especificado3121,5%5,2%
IX. Aparelho circulatorioI21Infarto agudo do miocardio2416,7%4,0%
IX. Aparelho circulatorioI10Hipertensao essencial primaria2215,3%3,7%
IX. Aparelho circulatorioI11Doenca cardiaca hipertensiva1913,2%3,2%
IX. Aparelho circulatorioI69Sequelas de doencas cerebrovasculares96,3%1,5%
XX. Causas externasX95Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada3429,3%5,7%
XX. Causas externasV89Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado2017,2%3,3%
XX. Causas externasX99Agressao por objeto cortante ou penetrante97,8%1,5%
XX. Causas externasV29Motociclista traumatizado em outros acidentes de transporte76,0%1,2%
XX. Causas externasX93Agressao por disparo de arma de fogo de mao65,2%1,0%
II. NeoplasiasC16Neoplasia maligna do estomago1420,0%2,3%
II. NeoplasiasC53Neoplasia maligna do colo do utero710,0%1,2%
II. NeoplasiasC50Neoplasia maligna da mama710,0%1,2%
II. NeoplasiasC34Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes68,6%1,0%
II. NeoplasiasC25Neoplasia maligna do pancreas57,1%0,8%
X. Aparelho respiratorioJ18Pneumonia por microorganismo nao especificado2442,9%4,0%
X. Aparelho respiratorioJ44Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas1119,6%1,8%
X. Aparelho respiratorioJ15Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte814,3%1,3%
X. Aparelho respiratorioJ45Asma23,6%0,3%
X. Aparelho respiratorioJ80Sindrome do desconforto respiratorio do adulto23,6%0,3%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE11Diabetes mellitus nao insulino-dependente3058,8%5,0%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE14Diabetes mellitus nao especificado59,8%0,8%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE10Diabetes mellitus insulino-dependente47,8%0,7%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE66Obesidade35,9%0,5%
IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicasE43Desnutricao proteico-calorica grave nao especificada23,9%0,3%

Em Concordia do Para, o detalhamento confirma que a agenda cardiovascular deve priorizar AVC, IAM e hipertensao. Nas causas externas, agressao por arma de fogo, acidentes de transporte, agressao por objeto cortante e lesoes autoprovocadas explicam o excesso ja identificado frente as medias estadual e nacional. Em neoplasias, estomago, mama, colo do utero e pulmao exigem rastreamento organizado e fluxo regional de diagnostico.

3.1. Mortalidade geral

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Proporção de óbitos com causa básica definida90%95%100%

A qualidade do registro de óbitos é pré-condição para qualquer análise de mortalidade confiável. Em 2022, 90% dos óbitos tinham causa básica definida (excluídos códigos R00-R99). A meta progressiva de 95% (2022-2025) e 100% (2026-2029) é adequada, mas sua efetivação depende de capacitação dos profissionais que preenchem a Declaração de Óbito.

3.2. Mortalidade infantil

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
Taxa de mortalidade infantil (por 1.000 NV)000
Proporção de óbitos infantis e fetais investigados em até 60 dias100%100%100%

A meta de zero óbitos infantis evitáveis é aspiracional e indica que o município reportava números muito baixos ou nulos. Em populações pequenas como Concórdia do Pará (estimativa de aproximadamente 440 nascidos vivos/ano), cada óbito infantil altera significativamente a taxa. A meta de 100% de investigação em até 60 dias é fundamental para qualificar os dados e identificar óbitos evitáveis.

3.3. Mortalidade materna

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
Óbitos maternos evitáveis000
Proporção de óbitos de MIF (10-49 anos) investigados100%100%100%
Proporção de óbitos maternos investigados100%100%100%
Zero óbitos maternos (CID O00-O99) nas metas de ambos os quadriênios. Resultado a manter. A investigação de 100% dos óbitos em mulheres em idade fértil (MIF) é instrumento crucial para captar óbitos maternos que possam ter sido registrados com outra causa básica.

3.4. Mortalidade por causas externas

A análise detalhada do SIM (2020-2025) revela que as causas externas respondem por aproximadamente 1 em cada 5 óbitos do município (21,0%), proporção muito superior à média nacional (12-13%). Concórdia do Pará apresenta uma taxa média de 118,5 óbitos por causas externas por 100 mil habitantes, significativamente acima da média nacional (cerca de 72/100 mil) e da média estadual do Pará (cerca de 80/100 mil).

3.4.1. Série histórica de óbitos por causas externas (2020-2025)

Fonte: SIM/DW. População de referência: 28.270 hab. (IBGE 2025)
AnoÓbitos causas externasTotal de óbitos% causas externasTaxa por 100 mil hab.
20203316520,0%116,7
20213214921,5%113,2
20222415615,4%84,9
20233815324,8%134,4
20242916817,3%102,6
20254516826,8%159,2
Total/Média20195921,0%118,5 (média)
ALERTA: O ano de 2025 registra o pior resultado da série histórica, com 45 óbitos (159,2/100 mil hab.). A tendência geral é de deterioração, com crescimento de 25,8% no triênio recente (2023-2025) em comparação com o triênio anterior (2020-2022).

3.4.2. Distribuição por tipo de causa (2020-2025)

Tipo de causa externaÓbitos%Taxa anualizada/100 mil
Agressões (homicídios) X85-Y0910049,8%59,0
Acidentes de transporte V01-V995627,9%33,0
Outras causas externas199,5%11,2
Suicídio X60-X84105,0%5,9
Quedas W00-W1973,5%4,1
Afogamentos W65-W7452,5%3,0
Intenção indeterminada Y10-Y3442,0%2,4

As agressões (homicídios) representam quase metade de todas as mortes por causas externas. A taxa de homicídios de 59,0/100 mil hab. é quase 3 vezes a média nacional (cerca de 22/100 mil) e 70% acima da média do Pará (aproximadamente 35/100 mil). Os acidentes de transporte ocupam o segundo lugar, com taxa de 33,0/100 mil hab. também acima da média nacional (cerca de 18/100 mil).

3.4.3. Taxas comparativas com médias estadual e nacional

Médias estaduais e nacionais aproximadas (DATASUS/SIM 2022-2023)
IndicadorConcórdia do ParáPará (aprox.)Brasil (aprox.)
Mortalidade por causas externas (geral)118,5~80~72
Mortalidade por homicídios59,0~35~22
Mortalidade por acidentes de transporte33,0~20~18
Mortalidade por suicídio5,9~5~7
Mortalidade por afogamento3,0~4~3
ALERTA VERMELHO: Concórdia do Pará apresenta taxas de mortalidade por causas externas 65% acima da média nacional e 48% acima da média estadual. A taxa de homicídios é quase 3 vezes a média nacional.

3.4.4. Perfil das vítimas

A análise do perfil das vítimas de causas externas (2020-2025) evidencia padrão concentrado:

CaracterísticaDadoObservação
Sexo masculino90,0%181 de 201 óbitos. Nos homicídios, razão de 49 homens para cada mulher.
Raça/cor parda ou preta89,1%179 de 201 óbitos. Entre homicídios, 95% das vítimas são pardas ou pretas.
Faixa etária 20-39 anos59,2%119 de 201 óbitos. Perda massiva de anos potenciais de vida (APVP).
Adolescentes (15-19 anos)10,9%22 óbitos, incluindo 8 homicídios de adolescentes do sexo masculino.
Perfil predominante da vítima: homem jovem (20-39 anos), pardo ou preto. Este perfil é consistente com a literatura sobre violência letal em municípios com alta vulnerabilidade social (IVS de 0,549).

3.4.5. Agressões por mecanismo

Dos 100 homicídios registrados no período 2020-2025:

MecanismoÓbitos%
Arma de fogo (X93 + X94 + X95)8080,0%
Objeto cortante/penetrante (X99)1414,0%
Outros mecanismos66,0%
ALERTA: 80% dos homicídios são cometidos com arma de fogo. Esse perfil indica necessidade de ações intersetoriais articuladas com segurança pública, com foco na redução do acesso a armas e na prevenção da violência.

3.4.6. Tendência: comparativo entre triênios

Indicador2020-20222023-2025Variação
Total causas externas89112+25,8%
Agressões5248-7,7%
Acidentes de transporte2036+80,0%
Suicídio46+50,0%
Outros1322+69,2%

O total de causas externas cresceu 25,8% no triênio recente. Embora as agressões tenham apresentado leve queda entre triênios (-7,7%), o ano de 2025 mostra recrudescência com 24 homicídios. Os acidentes de transporte dobraram (+80%), indicando urgência de ações de segurança viária. A tendência geral é de deterioração, com 2025 sendo o pior ano da série.

ALERTA VERMELHO: Os acidentes de transporte dobraram entre triênios (+80%). Motociclistas (V20-V29) respondem por pelo menos 36% dos óbitos de transporte. A categoria V89 (tipo não especificado) concentra 55% dos registros, indicando baixa qualidade do preenchimento das Declarações de Óbito para esta categoria.

3.5. Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos)

IndicadorLinha de base (2022)Previsão 2023Previsão 2024Previsão 2025Meta 2026-2029
Taxa de mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos)17,0016,0015,0014,0015,40

Composição das DCNT monitoradas (CID-10): Doenças do aparelho circulatório (I00-I99), neoplasias malignas (C00-C97), diabetes mellitus (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36).

A tendência planejada era de redução gradual (17,00 para 14,00), mas a meta do novo plano (15,40) sugere que a redução não foi plenamente alcançada. Isso é coerente com a estrutura demográfica em transição: a população de 30-69 anos cresceu proporcionalmente no período, e as condições crônicas demandam acompanhamento longitudinal que exige equipes de APS qualificadas.

4. Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica (ICSAB)

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Proporção de ICSAB sobre total de internações9,00%9,00%9,90%

A linha de base de 9,00% é relativamente baixa comparada à média nacional (em torno de 25-30%). Três hipóteses podem explicar esse valor:

1. Efetividade da APS: a cobertura de 86% em 2022, alcançando 100% a partir de 2023, pode estar contribuindo para manejo adequado na Atenção Primária.

2. Subregistro ou baixa resolutividade hospitalar: o hospital local pode não estar internando condições que em outros municípios gerariam AIH.

3. Evasão hospitalar: pacientes podem buscar internação em municípios vizinhos, não sendo contabilizados como residentes internados localmente.

A meta de 9,90% para 2026-2029 (ligeiramente superior à anterior) pode refletir ajuste da expectativa considerando a ampliação da capacidade diagnóstica hospitalar.

Contexto hospitalar: A consulta APS/hab/ano era de apenas 0,97 em 2024, subindo para 1,21 em 2025. Esses valores são significativamente inferiores ao parâmetro de referência (2 a 3 consultas/hab/ano), sugerindo que a APS ainda tem capacidade limitada para atender a demanda, o que pode estar deslocando casos para a urgência ou internação.

5. Indicadores de Saúde Materno-Infantil

A base local do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) registra 502 nascimentos em 2022, 455 em 2023, 442 em 2024 e 461 em 2025, totalizando 1.860 nascidos vivos no quadriênio. A proporção de mães adolescentes (10-19 anos) varia entre 21% e 24%, com 122 em 2022, 99 em 2023, 96 em 2024 e 110 em 2025, confirmando a magnitude da gravidez precoce discutida em 5.3. A cobertura de pré-natal com 7 ou mais consultas evoluiu de 265 (52,8%) em 2022 para 309 (67,0%) em 2025, em trajetória positiva, mas ainda distante de 80%. As cesáreas caíram de 282 (56,2%) em 2022 para 224 (48,6%) em 2025, e o número de recém-nascidos com baixo peso oscilou entre 30 e 35 ao ano, sem variação estatisticamente expressiva.

5.1. Onde acontecem os partos das mães residentes

A leitura do local de ocorrência mostra que Concórdia do Pará depende fortemente da rede regional e da capital para o parto de suas residentes. Na série local 2021-2025, foram 2.388 nascidos vivos de mães residentes no município: 590 partos (24,7%) ocorreram em Concórdia do Pará, enquanto 1.196 (50,1%) ocorreram em Belém e outros fluxos relevantes seguiram para Ananindeua, Acará e Tomé-Açu. Isso significa que, mesmo com maternidade municipal ativa, três em cada quatro partos são resolvidos fora do próprio município, exigindo pré-natal com estratificação de risco, transporte sanitário regulado e pactuação permanente com a Região de Saúde Metropolitana II, Belém e municípios vizinhos.

Tabela - Partos de mães residentes por município de ocorrência, Concórdia do Pará, 2021-2025
Município de ocorrênciaUFRegião de Saúde / CIRPartos% do totalMediana anual
BelémPAMetropolitana I1.19650,1%230
Concórdia do ParáPAMetropolitana II59024,7%89
AnanindeuaPAMetropolitana I1978,2%46
AcaráPAMetropolitana II1134,7%27
Tomé-AçuPAMetropolitana II1084,5%12
CastanhalPAMetropolitana III682,8%15
MaritubaPAMetropolitana I522,2%10
Santo Antônio do TauáPAMetropolitana II231,0%7
Demais municípiosPA/MADiversas411,7%-

O recorte por estabelecimento confirma o mesmo padrão. No período 2020-2024, a Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, concentrou 857 partos (35,9%), superando o Hospital e Maternidade João Lins de Oliveira, em Concórdia do Pará, com 756 partos (31,7%). A gestão estadual responde por quatro em cada dez partos e deve ser tratada como componente estruturante da linha de cuidado materno-infantil, não como exceção episódica.

Tabela - Principais estabelecimentos de ocorrência dos partos de mães residentes, Concórdia do Pará, 2020-2024
CNESEstabelecimentoMunicípioTipo de gestãoPartos% do total
2752700Santa Casa de Misericórdia do ParáBelémEstadual85735,9%
2622319Hospital e Maternidade João Lins de OliveiraConcórdia do ParáMunicipal75631,7%
2615835Hospital Anita GerosaAnanindeuaMunicipal1024,3%
7283458Hospital Santa Maria de AnanindeuaAnanindeuaMunicipal964,0%
2360411Hospital Municipal de Tomé-AçuTomé-AçuMunicipal933,9%
2329484Hospital Municipal de AcaráAcaráMunicipal833,5%
2340992Hospital Ordem TerceiraBelémMunicipal813,4%
2332671Hospital D. Luiz IBelémDupla451,9%
-Demais estabelecimentos, sem CNES informado ou registro incompletoDiversosDiversa/sem informação27311,4%
Tabela - Partos de mães residentes por tipo de gestão do estabelecimento, Concórdia do Pará, 2020-2024
Tipo de gestãoPartos% do total
Municipal1.33055,7%
Estadual95440,0%
Dupla642,7%
Sem informação, parto não institucional ou registro incompleto381,6%
Implicação para o PMS: a prioridade não é apenas aumentar o número de partos dentro do município, mas garantir que a gestante seja classificada no pré-natal, tenha transporte definido antes do trabalho de parto e chegue ao ponto de atenção pactuado sem peregrinação. A dependência de Belém e da Santa Casa exige agenda explícita com a SESPA e a CIR, enquanto os fluxos para Acará, Tomé-Açu e Ananindeua pedem pactuação operacional e comunicação entre maternidades.

5.2. Nascidos vivos e proporção de partos normais

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Proporção de parto normal no SUS76% (ver nota)80%88%
Nota: O valor de 0,76 na linha de base 2022 do PMS parece representar a razão em formato decimal (76%), e não percentual. A interpretação mais provável é que 76% dos partos em 2022 foram normais.

Uma proporção de partos normais em torno de 76% já é superior à média nacional (que gira em torno de 55% no SUS). A meta de 88% para 2026-2029 é ambiciosa e adequada para um município de pequeno porte com pré-natal acompanhado na APS. Requer manutenção de boas práticas obstétricas e combate à cesariana sem indicação clínica.

Estimativa de nascidos vivos: considerando a população de 0 a 4 anos de 2.198 (2025), estima-se aproximadamente 400-450 nascidos vivos por ano.

5.3. Pré-natal com 7 ou mais consultas

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Proporção de NV com 7+ consultas de pré-natal39,70%60%66%
ALERTA: Este é um dos indicadores mais preocupantes do perfil materno-infantil de Concórdia do Pará. A linha de base de 39,70% significa que mais de 60% das gestantes não completaram o mínimo de 7 consultas de pré-natal recomendadas. A meta de 66% para 2026-2029 mantém a trajetória de melhoria, porém ainda distante dos parâmetros ideais (acima de 80%).

Fatores contribuintes prováveis: Dispersão geográfica da população em área amazônica com comunidades rurais de difícil acesso; déficit de profissionais fixos (77% a 88% dos médicos e 94% a 97% dos enfermeiros com vínculo temporário); início tardio do pré-natal; e insuficiência de transporte sanitário para localidades ribeirinhas.

5.4. Gravidez na adolescência

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Proporção de gravidez na adolescência (10-19 anos)30%29%31,90%
ALERTA: A proporção de 30% de nascidos vivos de mães adolescentes é extremamente elevada. A média nacional está em torno de 14-16%. A meta de 31,90% para 2026-2029 aparenta ser inconsistente, pois é superior à linha de base e à meta anterior. Recomenda-se revisão: a meta deveria ser de redução (por exemplo, abaixo de 25%), com estratégias integradas de educação sexual, planejamento reprodutivo e ações intersetoriais com educação e assistência social.

A população feminina de 10 a 19 anos em 2025 era de 2.567 (1.257 na faixa 10-14 + 1.310 na faixa 15-19), representando grupo prioritário para intervenções.

5.5. Investigação de óbitos materno-infantis

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta 2026-2029
Investigação de óbitos MIF em até 60 dias100%100%100%
Investigação de óbitos infantis e fetais em até 60 dias100%100%100%
Investigação de óbitos maternos100%100%100%

A manutenção de 100% de investigação em todas as categorias é padrão de excelência que o município declara manter. Em cenário de poucos eventos (município de pequeno porte), a investigação integral é viável e essencial para identificar óbitos evitáveis e propor intervenções oportunas.

5.6. Rastreamento de câncer feminino

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Razão de exames citopatológicos (25-64 anos)0,230,270,44
Razão de mamografias de rastreamento (50-69 anos)0,130,250,28
CRITICO: Ambos os indicadores partiram de patamares muito baixos. A razão de citopatológicos de 0,23 (meta nacional: 0,50-0,65) indica que menos de 1 em cada 4 mulheres na faixa alvo realizou o exame no triênio. A mamografia com razão 0,13 é igualmente crítica. As metas progressivas demonstram intenção de melhoria, mas mesmo as metas 2026-2029 (0,44 e 0,28) permanecem aquém dos parâmetros nacionais.

6. Cobertura Vacinal

IndicadorLinha de base (2022)Meta 2022-2025Meta 2026-2029
Coberturas vacinais adequadas do Calendário Básico (menores de 1 ano)95%95%95%

A meta de 95% de cobertura vacinal é o parâmetro pactuado nacionalmente para a maioria dos imunobiológicos do Calendário Básico. A manutenção da mesma meta nos dois planos indica que o município considera ter capacidade de alcançá-la, porém a ausência de dados desagregados por vacina impede avaliar se há heterogeneidade (vacinas com cobertura abaixo de 95% enquanto outras estão acima).

Desafio operacional: A redução da população de 0 a 4 anos (de 2.479 em 2022 para 2.198 em 2025, queda de 11,3%) paradoxalmente pode dificultar o alcance das metas, pois o denominador menor amplifica o impacto de poucos não vacinados. Além disso, a localização amazônica com comunidades dispersas impõe desafios logísticos para vacinação em áreas rurais.

7. Tendências e Série Histórica

7.1. Síntese das tendências observadas

IndicadorTendênciaPeríodoClassificação
Mortalidade por causas externas118,5/100 mil hab. (média), pico de 159,2 em 20252020-2025Desfavorável (65% acima da média nacional)
Homicídios59,0/100 mil hab. (3x a média nacional)2020-2025Desfavorável
Acidentes de transporte (mortalidade)+80% entre triênios2020-2025Desfavorável
Internações por causas externasCrescimento de +53,5%2022-2025Desfavorável
Cobertura da APSDe 86% para 100%2022-2023Favorável
Consultas APS/hab/anoDe 0,97 para 1,212024-2025Melhoria, mas insuficiente
Mortalidade prematura por DCNTMeta de 17,0 para 14,02022-2025A confirmar
Pré-natal 7+ consultasMeta de 39,70% para 60%2022-2025A confirmar
Gravidez na adolescência30% (estável)2022Desfavorável (nível alto)
Precarização de vínculos (médicos)71-88% temporários2022-2025Desfavorável
Precarização de vínculos (enfermeiros)94-97% temporários2022-2025Desfavorável
CAPSImplantado em 20232023Favorável
Rastreamento câncer feminino0,23 (citologia), 0,13 (mamografia)2022Desfavorável (muito baixo)

7.2. Transição demográfica e epidemiológica

A comparação da pirâmide etária entre 2022 e 2025 evidencia o processo de transição demográfica em curso:

Faixa20222025Variação
0-14 anos (crianças)7.845 (27,5%)7.161 (25,3%)-8,7%
15-19 anos (adolescentes)2.986 (10,5%)2.760 (9,8%)-7,6%
20-59 anos (adultos)15.170 (53,1%)15.526 (54,9%)+2,3%
60+ anos (idosos)2.559 (9,0%)2.823 (10,0%)+10,3%
O crescimento de 10,3% da população idosa em apenas 3 anos confirma aceleração do envelhecimento, que tende a aumentar a demanda por atenção a DCNT, saúde mental do idoso e cuidados de longa duração.

8. Problemas Identificados neste Componente

Problemas críticos

#ProblemaEvidênciaImpacto
1Mortalidade por causas externas muito acima das médias estadual e nacionalTaxa de 118,5/100 mil hab. (65% acima da média nacional de ~72/100 mil). Homicídios: 59,0/100 mil (3x a média nacional). 2025: pior ano da série com 45 óbitos (159,2/100 mil). Vítimas: 90% homens, 89% pardos/pretos, 59% entre 20-39 anos. Armas de fogo: 80% dos homicídios.Perda massiva de anos potenciais de vida, sobrecarga da rede de urgência, 71,6% dos óbitos fora de estabelecimentos de saúde
2Proporção muito elevada de gravidez na adolescência30% dos NV de mães com 10 a 19 anos (quase o dobro da média nacional)Risco materno-infantil elevado, ciclo de vulnerabilidade social, impacto em indicadores de pré-natal
3Baixa cobertura de pré-natal com 7+ consultasLinha de base de 39,70%; mais de 60% das gestantes sem acompanhamento adequadoRisco de mortalidade materna e infantil, detecção tardia de sífilis gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional
4Precarização extrema dos vínculos profissionais77-88% dos médicos e 94-97% dos enfermeiros com vínculo temporárioAlta rotatividade, perda de longitudinalidade do cuidado, fragilidade das ações programáticas
5Rastreamento de câncer feminino muito abaixo do parâmetro nacionalCitologia 0,23 (meta nacional: 0,50+), mamografia 0,13 (meta nacional: 0,30+)Diagnóstico tardio de câncer de colo de útero e mama, mortalidade evitável

Problemas importantes

#ProblemaEvidênciaImpacto
6Consultas APS/hab/ano muito abaixo do parâmetro0,97 (2024) e 1,21 (2025) contra parâmetro de 2 a 3Baixa resolutividade da porta de entrada, possível deslocamento para urgência
7Mortalidade prematura por DCNT com meta possivelmente não cumpridaMeta de 14,00 possivelmente não atingida; nova meta conservadora de 15,40Envelhecimento da população aumenta a pressão sobre esse indicador
8Cobertura vacinal sem dados desagregadosIndicador SIPNI não disponível no Data Warehouse; meta genérica de 95%Impossibilidade de identificar vacinas com cobertura heterogênea
9Diagnóstico tardio de HIV15 casos com CD4 < 200 (diagnóstico em fase avançada)Pior prognóstico, maior custo assistencial, maior período de transmissibilidade
10Inconsistências numéricas nas metas do PMSMeta de aids < 5 anos = 10 (era 0); meta de gravidez adolescência = 31,90% (era 29%)Risco de comprometimento da credibilidade do instrumento de gestão

Lacunas de informação

#LacunaFonte esperadaImpacto na análise
L1Série histórica de notificações SINAN por agravoSINAN nacional/DATASUS (dengue, malária, hanseníase, tuberculose, sífilis, HIV)Impossibilidade de avaliar tendências de incidência das doenças transmissíveis
L2Mortalidade por causa desagregada (ranking completo por capítulo CID)SIM nacional/DATASUS, óbitos por município de residênciaResolvido parcialmente: causas externas (Cap. XX) detalhadas na seção 3.4. Demais capítulos pendentes.
L3Cobertura vacinal por imunobiológicoSIPNI (não integrado ao DW)Impossibilidade de avaliar homogeneidade vacinal
L4Prevalência de hipertensão e diabetes (e-SUS AB)esus_ab.tb_fat_atendimento_individualPerfil de DCNT baseado apenas em mortalidade e internação
L5Mortalidade infantil calculada (taxa por 1.000 NV)SIM e SINASC nacionais/DATASUSTaxa real não disponível para série histórica
L6Internações por causas externas desagregadas por tipoSIH/SUS nacional/DATASUS, internações por causas externas (CID-10 V01-Y98)Resolvido para mortalidade (SIM, seção 3.4). Desagregação das internações (SIHD) permanece pendente.

Recomendações para o PMS 2026-2029

1. Enfrentar a mortalidade por causas externas: com taxa de 118,5/100 mil hab. (65% acima da média nacional) e homicídios a 59,0/100 mil (3x a média nacional), a redução da violência letal e dos acidentes de transporte deve ser prioridade intersetorial, com meta de reduzir a taxa geral para menos de 100/100 mil ao final do quadriênio.
2. Implementar programa específico para redução da gravidez na adolescência: articular saúde, educação e assistência social; corrigir a meta para valor decrescente (abaixo de 25%).
3. Ampliar acesso ao pré-natal: estratégias específicas para comunidades rurais e ribeirinhas, incluindo equipes itinerantes e telessaúde.
4. Estruturar vigilância de DCNT com dados do e-SUS AB: utilizar o prontuário eletrônico para construir linha de base de hipertensão e diabetes na APS.
5. Revisar metas com inconsistências numéricas (aids em menores de 5 anos, gravidez na adolescência) antes da aprovação do PMS no Conselho Municipal de Saúde.
6. Priorizar importação das fontes SINAN e SIM no Data Warehouse para viabilizar monitoramento contínuo dos indicadores epidemiológicos ao longo do quadriênio 2026-2029.

Fontes: PMS 2022-2025 de Concórdia do Pará, alertas críticos do quadriênio 2022-2025, Data Warehouse Akapu (SIM, SINASC, SINAN, SIHD, CNES), dados demográficos IBGE. Consulta abril/2026.

Assessoramento Akapu Saúde

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.
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