Perfil Epidemiológico
Plano Municipal de Saúde 2026-2029
Município
1. Apresentação
Este caderno apresenta o perfil epidemiológico e de morbimortalidade de Concórdia do Pará, com o objetivo de subsidiar a elaboração do Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029. O diagnóstico situacional aqui consolidado abrange os principais indicadores de morbidade, mortalidade, saúde materno-infantil e cobertura vacinal, organizados a partir dos sistemas nacionais de informação em saúde e das metas do plano anterior (PMS 2022-2025).
Concórdia do Pará é um município de pequeno porte localizado na região amazônica paraense, com população estimada de 28.270 habitantes em 2025. A estrutura demográfica revela um perfil relativamente jovem: 25,3% da população são crianças (0 a 14 anos), 9,8% adolescentes (15 a 19 anos), 54,9% adultos (20 a 59 anos) e 10,0% idosos (60 anos ou mais). O índice de dependência é de 54,6%, indicando que mais da metade da população em idade ativa sustenta a demanda de dependentes.
A série histórica populacional (2022-2025) mostra leve tendência de estabilização, com decréscimo marginal de 28.560 para 28.270 habitantes. A população infantil (0-4 anos) reduziu-se de 2.479 (2022) para 2.198 (2025), o que pode impactar a demanda por serviços materno-infantis e cobertura vacinal. Em contrapartida, a população idosa cresceu de 2.559 para 2.823 no mesmo período, sinalizando aumento progressivo da demanda por atenção a doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).
Sumário
- Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.
Resumo Executivo
Perfil epidemiológico de Concórdia do Pará a partir do SIM, SINASC, SINAN, SIH/SUS e SISAB. Detalhes e fontes nas seções seguintes.
- Mortalidade por causas externas: 118,5/100 mil hab (65% acima da média nacional)
- Homicídios: 59/100 mil hab (3x média nacional); 80% por armas de fogo
- Gravidez na adolescência: 30% dos NV (mães 10-19; ~2x média nacional)
- Pré-natal 7+ consultas: 39,7% (linha de base)
- Citologia: 0,23 (meta 0,50+); mamografia: 0,13 (meta 0,30+)
- Consultas APS/hab/ano: 1,21 (2025) vs parâmetro 2-3
- Causas externas em escalada: 45 óbitos em 2025 (pior da série, 159,2/100 mil); 71,6% fora de estabelecimentos
- Vítimas de homicídio: 90% homens, 89% pardos/pretos, 59% entre 20-39 anos
- Mais de 60% das gestantes sem pré-natal adequado; risco de mortalidade materna/infantil
- Rastreamento de câncer feminino muito abaixo do parâmetro; diagnóstico tardio
- Precarização extrema (77-88% médicos e 94-97% enfermeiros temporários)
- Plano municipal de prevenção da violência integrado com segurança pública e Justiça
- Linha de cuidado materno-infantil com captação no 1º trimestre e PSE robusto
- Rastreamento ativo de câncer feminino com meta de citologia ≥0,50 e mamografia ≥0,30
- Estratificação de risco cardiovascular em 100% das eSF
- Reduzir mortalidade prematura por DCNT (alvo 14,0/100 mil ou abaixo)
2. Perfil de Morbidade
A base local do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registra 1.323 notificações consolidadas no município. O perfil é dominado por agravos relacionados a acidentes e exposições ambientais: outros acidentes em local não especificado (W64) somam 570 notificações, contato com animal e planta venenosos não especificados (X29) 237, fatores relacionados a condições de trabalho (Y96) 162, agressão por meios não especificados (Y09) 82, tuberculose respiratória sem confirmação bacteriológica (A16.9) 41, efeitos tóxicos não especificados (T65.9) 24, sífilis não especificada (A53.9) 23 e doença pelo HIV resultando em outras condições especificadas (B24) 22. A predominância de causas externas (W64, X29, Y96, Y09) somando 1.051 notificações confirma o quadro destacado no resumo executivo: causas externas e exposições ocupacionais como prioridade da vigilância municipal.
2.1. Doenças Transmissíveis
2.1.1. Dengue e arboviroses
Concórdia do Pará, como todo município da Região Amazônica, está inserida em área de risco permanente para arboviroses. O PMS 2022-2025 estabeleceu como meta manter em zero o número de óbitos por dengue (meta 7.1.18), indicando que o município já registrava circulação viral, embora sem letalidade no período de referência.
| Indicador | Linha de base (PMS 2022-2025) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Óbitos por dengue (número absoluto) | 0 | 0 | 0 |
| Ciclos com 80%+ de cobertura de imóveis visitados | 5 ciclos | 5 ciclos | 6 ciclos |
A meta de zero óbitos por arboviroses foi aparentemente cumprida no quadriênio anterior. Contudo, a ausência de dados granulares de notificação impede avaliar a incidência e a tendência dos casos não fatais. A intensificação dos ciclos de visita domiciliar (de 5 para 6 ciclos) no novo plano sugere reconhecimento de risco crescente.
2.1.2. Malária
Por estar na Região Amazônica, a malária é agravo de vigilância obrigatória. O PMS 2022-2025 fixou como meta manter a Incidência Parasitária Anual (IPA) em 0% (meta 7.1.17), reforçando que o município tinha controle sobre a transmissão autóctone.
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| IPA de malária (casos autóctones) | 0% | 0% | 0% |
A manutenção da meta zero para malária autóctone em ambos os planos indica cenário favorável, mas a vigilância precisa ser mantida em razão da localização geográfica e da existência de áreas rurais com potencial de transmissão.
2.1.3. Hanseníase
Hanseníase é doença endêmica no Pará, que historicamente apresenta altas taxas de detecção. O PMS 2022-2025 estabeleceu metas ambiciosas para cura de casos novos e exame de contatos intradomiciliares.
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Proporção de cura de casos novos (coortes) | 95% | 95% | 100% |
| Proporção de contatos intradomiciliares examinados | 90% | 90% | 99% |
As linhas de base já eram elevadas (95% de cura, 90% de contatos examinados), indicando capacidade operacional da vigilância epidemiológica. A elevação das metas para 100% e 99% no PMS 2026-2029 revela compromisso com a eliminação da doença como problema de saúde pública. O desafio é garantir busca ativa em localidades rurais de difícil acesso.
2.1.4. Tuberculose
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Cura de TB pulmonar bacilífera | 80% | 90% | 99% |
| Testagem anti-HIV em casos novos de TB | 100% | 100% | 100% |
A proporção de cura partiu de 80% em 2022, com meta progressiva até 90%. O salto para 99% no novo plano é ambicioso e requer investimento em tratamento diretamente observado (TDO), busca de faltosos e articulação com a Atenção Primária. A testagem para HIV em 100% dos casos é indicador já consolidado.
2.1.5. Sífilis
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Casos novos de sífilis congênita (menores de 1 ano) | 1 caso | Manter em 1 | 1,10 |
A manutenção de apenas 1 caso de sífilis congênita como linha de base sugere que o município tem baixa incidência, possivelmente com subnotificação. A meta de 1,10 para 2026-2029, ligeiramente superior, pode refletir expectativa de melhoria na capacidade de detecção. A meta ideal seria zero casos de sífilis congênita.
2.1.6. HIV/Aids
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Casos novos de aids em menores de 5 anos | 0 | 0 | 10 (ver nota) |
| Diagnóstico tardio de HIV (CD4 < 200) | 15 | 15 | 17 |
| Testes anti-HCV realizados | 1.200 | 1.200 | 1.320 |
O indicador de diagnóstico tardio (CD4 < 200) com linha de base de 15 casos merece atenção, pois indica que parcela significativa dos diagnósticos de HIV no município ocorre em fase avançada da doença. A ampliação da testagem para hepatite C (de 1.200 para 1.320 testes) é positiva.
2.1.7. Leishmaniose visceral
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Óbitos por leishmaniose visceral | 0 | 0 | 0 |
O município mantém meta zero para óbitos por leishmaniose visceral. Não há dados disponíveis sobre incidência de casos não fatais.
2.2. Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)
2.2.1. Mortalidade prematura por DCNT (30 a 69 anos)
Este é o indicador mais crítico para o perfil de DCNT do município. Engloba as quatro principais causas: doenças do aparelho circulatório (CID I00-I99), neoplasias (C00-C97), diabetes (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36).
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Taxa de mortalidade prematura (30-69 anos) por DCNT | 17,00 | 14,00 | 15,40 |
A população na faixa de 30 a 69 anos de Concórdia do Pará em 2025 era de aproximadamente 12.074 pessoas (soma das faixas 30-39: 4.405 + 40-49: 3.676 + 50-59: 2.486 + 60-69: 1.507).
A linha de base de 17,00 (por 100.000 habitantes na faixa) em 2022, com meta de redução para 14,00 até 2025, demonstra preocupação com o cenário. A meta 2026-2029 de 15,40 aparenta ser mais conservadora, possivelmente refletindo dificuldade em atingir a meta anterior. As ações de incentivo a alimentação saudável (meta 3.2.1: 100% das equipes) e atividade física nas UBS (meta 3.2.2: de 20% para 80%) são estratégias de promoção voltadas à redução das DCNT.
2.2.2. Hipertensão e diabetes
Dados específicos de prevalência de hipertensão arterial e diabetes mellitus na população de Concórdia do Pará não estão disponíveis de forma isolada no Data Warehouse. A morbidade por essas condições é capturada indiretamente por dois indicadores:
ICSAB: internações por condições sensíveis à Atenção Básica (seção 4 deste caderno), onde hipertensão e diabetes figuram entre as principais causas.
Mortalidade prematura por DCNT: onde doenças do aparelho circulatório e diabetes estão incluídas (CID I00-I99, E10-E14).
2.3. Agravos
2.3.1. Violência
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Unidades com notificação contínua de violência | 1 unidade (1%) | 100% | 100% |
Em 2022, apenas 1 unidade de saúde realizava notificação contínua de violência. A meta de 100% das unidades com notificação representou uma mudança estrutural na vigilância de agravos. A manutenção da meta em 100% para 2026-2029 indica consolidação do processo.
2.3.2. Acidentes e causas externas
| Indicador | 2022 | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Internações por causas externas | 258 | 334 | 396 | +53,5% no quinquênio |
2.3.3. Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária
Em 2025, o SINAN registrou 367 notificações de residentes no município. Os maiores volumes foram Atendimento anti-rábico humano (128), Acidente de trabalho grave (73), Acidente por animais peçonhentos (65), o que orienta a vigilância para exposições ambientais, eventos ocupacionais, agravos transmissíveis e linhas de cuidado que precisam aparecer no PMS 2026-2029.
| Agravo | Total 2025 | Masculino | Feminino | Ignorado | Mediana de idade | Faixa predominante |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Atendimento anti-rábico humano | 128 | 71 | 57 | 0 | 32,5 | 30-39 anos |
| Acidente de trabalho grave | 73 | 68 | 5 | 0 | 31 | 20-29 anos |
| Acidente por animais peçonhentos | 65 | 39 | 26 | 0 | 26 | 20-29 anos |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 29 | 10 | 19 | 0 | 23 | 20-29 anos |
| Intoxicação exógena | 11 | 6 | 5 | 0 | 23 | 20-29 anos |
| Tuberculose | 11 | 9 | 2 | 0 | 34 | 30-39 anos |
| Sífilis não especificada | 8 | 3 | 5 | 0 | 41 | 40-49 anos |
| Aids | 6 | 4 | 2 | 0 | 32 | 30-39 anos |
| Meningite | 5 | 5 | 0 | 0 | 36 | 10-14 anos |
| Acidente de trabalho com exposição a material biológico | 4 | 0 | 4 | 0 | 51 | 50-59 anos |
| Hanseníase | 4 | 1 | 3 | 0 | 30,5 | 30-39 anos |
| Sífilis em gestante | 4 | 0 | 4 | 0 | 26 | 20-29 anos |
| Gestante com HIV | 3 | 0 | 3 | 0 | 26 | 20-29 anos |
| Hepatites virais | 3 | 1 | 2 | 0 | 38 | 30-39 anos |
| Leishmaniose tegumentar americana | 3 | 2 | 1 | 0 | 45 | 40-49 anos |
| Outras febres virais transmitidas por artropodes | 3 | 0 | 3 | 0 | 45 | 40-49 anos |
| Leptospirose | 2 | 1 | 1 | 0 | 26 | 30-39 anos |
| Doença de Chagas aguda | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 | < 1 ano |
| Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério | 1 | 0 | 1 | 0 | 30 | 30-39 anos |
| Sífilis congênita | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 | < 1 ano |
| Toxoplasmose | 1 | 1 | 0 | 0 | 43 | 40-49 anos |
| Toxoplasmose congênita | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 | < 1 ano |
A tabela detalhada abaixo abre os agravos com cinco ou mais notificações em 2025. Para preservar a leitura epidemiologica sem superexpor eventos raros, os agravos com menos de cinco registros sao tratados em prosa ao final da subseção.
| Agravo | Faixa etária | Masculino | Feminino | Total | % do agravo |
|---|---|---|---|---|---|
| Atendimento anti-rábico humano | < 1 ano | 1 | 0 | 1 | 0,8% |
| Atendimento anti-rábico humano | 1-4 anos | 5 | 5 | 10 | 7,8% |
| Atendimento anti-rábico humano | 5-9 anos | 7 | 5 | 12 | 9,4% |
| Atendimento anti-rábico humano | 10-14 anos | 4 | 2 | 6 | 4,7% |
| Atendimento anti-rábico humano | 15-19 anos | 6 | 5 | 11 | 8,6% |
| Atendimento anti-rábico humano | 20-29 anos | 4 | 12 | 16 | 12,5% |
| Atendimento anti-rábico humano | 30-39 anos | 9 | 10 | 19 | 14,8% |
| Atendimento anti-rábico humano | 40-49 anos | 9 | 6 | 15 | 11,7% |
| Atendimento anti-rábico humano | 50-59 anos | 12 | 7 | 19 | 14,8% |
| Atendimento anti-rábico humano | 60-69 anos | 4 | 3 | 7 | 5,5% |
| Atendimento anti-rábico humano | 70+ anos | 10 | 2 | 12 | 9,4% |
| Acidente de trabalho grave | 15-19 anos | 2 | 0 | 2 | 2,7% |
| Acidente de trabalho grave | 20-29 anos | 23 | 4 | 27 | 37,0% |
| Acidente de trabalho grave | 30-39 anos | 25 | 0 | 25 | 34,2% |
| Acidente de trabalho grave | 40-49 anos | 11 | 1 | 12 | 16,4% |
| Acidente de trabalho grave | 50-59 anos | 4 | 0 | 4 | 5,5% |
| Acidente de trabalho grave | 60-69 anos | 1 | 0 | 1 | 1,4% |
| Acidente de trabalho grave | 70+ anos | 2 | 0 | 2 | 2,7% |
| Acidente por animais peçonhentos | < 1 ano | 0 | 1 | 1 | 1,5% |
| Acidente por animais peçonhentos | 1-4 anos | 1 | 0 | 1 | 1,5% |
| Acidente por animais peçonhentos | 5-9 anos | 2 | 2 | 4 | 6,2% |
| Acidente por animais peçonhentos | 10-14 anos | 5 | 3 | 8 | 12,3% |
| Acidente por animais peçonhentos | 15-19 anos | 2 | 3 | 5 | 7,7% |
| Acidente por animais peçonhentos | 20-29 anos | 8 | 8 | 16 | 24,6% |
| Acidente por animais peçonhentos | 30-39 anos | 2 | 4 | 6 | 9,2% |
| Acidente por animais peçonhentos | 40-49 anos | 6 | 3 | 9 | 13,8% |
| Acidente por animais peçonhentos | 50-59 anos | 4 | 1 | 5 | 7,7% |
| Acidente por animais peçonhentos | 60-69 anos | 5 | 1 | 6 | 9,2% |
| Acidente por animais peçonhentos | 70+ anos | 4 | 0 | 4 | 6,2% |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 10-14 anos | 2 | 5 | 7 | 24,1% |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 15-19 anos | 1 | 3 | 4 | 13,8% |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 20-29 anos | 4 | 5 | 9 | 31,0% |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 30-39 anos | 1 | 4 | 5 | 17,2% |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 40-49 anos | 1 | 1 | 2 | 6,9% |
| Violencia interpessoal/autoprovocada | 50-59 anos | 1 | 1 | 2 | 6,9% |
| Intoxicação exógena | 10-14 anos | 1 | 0 | 1 | 9,1% |
| Intoxicação exógena | 15-19 anos | 1 | 1 | 2 | 18,2% |
| Intoxicação exógena | 20-29 anos | 2 | 2 | 4 | 36,4% |
| Intoxicação exógena | 30-39 anos | 0 | 1 | 1 | 9,1% |
| Intoxicação exógena | 40-49 anos | 1 | 1 | 2 | 18,2% |
| Intoxicação exógena | 60-69 anos | 1 | 0 | 1 | 9,1% |
| Tuberculose | 15-19 anos | 1 | 0 | 1 | 9,1% |
| Tuberculose | 20-29 anos | 2 | 0 | 2 | 18,2% |
| Tuberculose | 30-39 anos | 3 | 0 | 3 | 27,3% |
| Tuberculose | 40-49 anos | 0 | 1 | 1 | 9,1% |
| Tuberculose | 50-59 anos | 1 | 1 | 2 | 18,2% |
| Tuberculose | 60-69 anos | 1 | 0 | 1 | 9,1% |
| Tuberculose | 70+ anos | 1 | 0 | 1 | 9,1% |
| Sífilis não especificada | 15-19 anos | 0 | 1 | 1 | 12,5% |
| Sífilis não especificada | 20-29 anos | 1 | 1 | 2 | 25,0% |
| Sífilis não especificada | 40-49 anos | 2 | 1 | 3 | 37,5% |
| Sífilis não especificada | 50-59 anos | 0 | 2 | 2 | 25,0% |
| Aids | 10-14 anos | 0 | 1 | 1 | 16,7% |
| Aids | 20-29 anos | 1 | 0 | 1 | 16,7% |
| Aids | 30-39 anos | 3 | 1 | 4 | 66,7% |
| Meningite | 10-14 anos | 2 | 0 | 2 | 40,0% |
| Meningite | 30-39 anos | 1 | 0 | 1 | 20,0% |
| Meningite | 40-49 anos | 2 | 0 | 2 | 40,0% |
A distribuição por sexo e idade concentra a agenda de vigilância em três frentes: acidentes e exposições ambientais com participação masculina importante, acidente de trabalho grave quase exclusivamente masculino em adultos jovens e violência com predomínio feminino em adolescentes e adultas jovens. O PMS 2026-2029 deve combinar prevenção territorial, educação em saúde, notificação contínua nas UBS e fluxos de cuidado para agravos sensíveis como tuberculose, sífilis, HIV/aids e violência.
Demais agravos com volume residual em 2025: Acidente de trabalho com exposição a material biológico (4 casos); Hanseníase (4 casos); Sífilis em gestante (4 casos); Gestante com HIV (3 casos); Hepatites virais (3 casos); Leishmaniose tegumentar americana (3 casos); Outras febres virais transmitidas por artrópodes (3 casos); Leptospirose (2 casos); Doença de Chagas aguda (1 caso); Doenças por protozoários na gravidez, parto e puerpério (1 caso); Sífilis congênita (1 caso); Toxoplasmose (1 caso); Toxoplasmose congênita (1 caso). Esses registros não devem ser ignorados, mas seu baixo volume recomenda leitura caso a caso pela vigilância, sem inferir taxa estável por sexo ou faixa etária.
Fonte: SINAN, base local municipal, residentes no município, ano de notificação 2025. Consulta consolidada em abril/2026; dados sujeitos a revisão pela rotina de fechamento das bases oficiais.
3. Perfil de Mortalidade
A base local do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registra, no quadriênio 2022-2025, totais anuais de 146 óbitos em 2022, 140 em 2023, 159 em 2024 e 154 em 2025, com tendência de leve crescimento absoluto. As causas externas saltaram de 18 óbitos em 2022 para 41 óbitos em 2025, com pico intermediário de 32 em 2023 e 25 em 2024, configurando o principal alerta epidemiológico do período. As doenças do aparelho circulatório mantiveram-se estáveis em torno de 31 a 39 óbitos/ano, e as neoplasias entre 14 e 20. No agregado, os principais capítulos CID-10 do quadriênio são IX. Aparelho circulatório com 144 óbitos, XX. Causas externas com 116, II. Neoplasias com 70, X. Aparelho respiratório com 56 e IV. Endócrinas, nutricionais e metabólicas com 51. Não foram registrados óbitos infantis no SIM no período, o que pode indicar tanto melhoria efetiva quanto subnotificação a investigar.
3.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito
O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.
| Ano | Total de óbitos | Mal definidas (R00-R99) | % mal definidas |
|---|---|---|---|
| 2022 | 146 | 5 | 3,4% |
| 2023 | 140 | 3 | 2,1% |
| 2024 | 159 | 7 | 4,4% |
| 2025 | 154 | 5 | 3,2% |
| Capítulo prioritário | CID-10 | Descrição | Óbitos | % do capítulo | % do total |
|---|---|---|---|---|---|
| IX. Aparelho circulatorio | I64 | Acidente vascular cerebral nao especificado | 31 | 21,5% | 5,2% |
| IX. Aparelho circulatorio | I21 | Infarto agudo do miocardio | 24 | 16,7% | 4,0% |
| IX. Aparelho circulatorio | I10 | Hipertensao essencial primaria | 22 | 15,3% | 3,7% |
| IX. Aparelho circulatorio | I11 | Doenca cardiaca hipertensiva | 19 | 13,2% | 3,2% |
| IX. Aparelho circulatorio | I69 | Sequelas de doencas cerebrovasculares | 9 | 6,3% | 1,5% |
| XX. Causas externas | X95 | Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada | 34 | 29,3% | 5,7% |
| XX. Causas externas | V89 | Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado | 20 | 17,2% | 3,3% |
| XX. Causas externas | X99 | Agressao por objeto cortante ou penetrante | 9 | 7,8% | 1,5% |
| XX. Causas externas | V29 | Motociclista traumatizado em outros acidentes de transporte | 7 | 6,0% | 1,2% |
| XX. Causas externas | X93 | Agressao por disparo de arma de fogo de mao | 6 | 5,2% | 1,0% |
| II. Neoplasias | C16 | Neoplasia maligna do estomago | 14 | 20,0% | 2,3% |
| II. Neoplasias | C53 | Neoplasia maligna do colo do utero | 7 | 10,0% | 1,2% |
| II. Neoplasias | C50 | Neoplasia maligna da mama | 7 | 10,0% | 1,2% |
| II. Neoplasias | C34 | Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes | 6 | 8,6% | 1,0% |
| II. Neoplasias | C25 | Neoplasia maligna do pancreas | 5 | 7,1% | 0,8% |
| X. Aparelho respiratorio | J18 | Pneumonia por microorganismo nao especificado | 24 | 42,9% | 4,0% |
| X. Aparelho respiratorio | J44 | Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas | 11 | 19,6% | 1,8% |
| X. Aparelho respiratorio | J15 | Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte | 8 | 14,3% | 1,3% |
| X. Aparelho respiratorio | J45 | Asma | 2 | 3,6% | 0,3% |
| X. Aparelho respiratorio | J80 | Sindrome do desconforto respiratorio do adulto | 2 | 3,6% | 0,3% |
| IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicas | E11 | Diabetes mellitus nao insulino-dependente | 30 | 58,8% | 5,0% |
| IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicas | E14 | Diabetes mellitus nao especificado | 5 | 9,8% | 0,8% |
| IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicas | E10 | Diabetes mellitus insulino-dependente | 4 | 7,8% | 0,7% |
| IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicas | E66 | Obesidade | 3 | 5,9% | 0,5% |
| IV. Endocrinas, nutricionais e metabolicas | E43 | Desnutricao proteico-calorica grave nao especificada | 2 | 3,9% | 0,3% |
Em Concordia do Para, o detalhamento confirma que a agenda cardiovascular deve priorizar AVC, IAM e hipertensao. Nas causas externas, agressao por arma de fogo, acidentes de transporte, agressao por objeto cortante e lesoes autoprovocadas explicam o excesso ja identificado frente as medias estadual e nacional. Em neoplasias, estomago, mama, colo do utero e pulmao exigem rastreamento organizado e fluxo regional de diagnostico.
3.1. Mortalidade geral
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Proporção de óbitos com causa básica definida | 90% | 95% | 100% |
A qualidade do registro de óbitos é pré-condição para qualquer análise de mortalidade confiável. Em 2022, 90% dos óbitos tinham causa básica definida (excluídos códigos R00-R99). A meta progressiva de 95% (2022-2025) e 100% (2026-2029) é adequada, mas sua efetivação depende de capacitação dos profissionais que preenchem a Declaração de Óbito.
3.2. Mortalidade infantil
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Taxa de mortalidade infantil (por 1.000 NV) | 0 | 0 | 0 |
| Proporção de óbitos infantis e fetais investigados em até 60 dias | 100% | 100% | 100% |
A meta de zero óbitos infantis evitáveis é aspiracional e indica que o município reportava números muito baixos ou nulos. Em populações pequenas como Concórdia do Pará (estimativa de aproximadamente 440 nascidos vivos/ano), cada óbito infantil altera significativamente a taxa. A meta de 100% de investigação em até 60 dias é fundamental para qualificar os dados e identificar óbitos evitáveis.
3.3. Mortalidade materna
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Óbitos maternos evitáveis | 0 | 0 | 0 |
| Proporção de óbitos de MIF (10-49 anos) investigados | 100% | 100% | 100% |
| Proporção de óbitos maternos investigados | 100% | 100% | 100% |
3.4. Mortalidade por causas externas
A análise detalhada do SIM (2020-2025) revela que as causas externas respondem por aproximadamente 1 em cada 5 óbitos do município (21,0%), proporção muito superior à média nacional (12-13%). Concórdia do Pará apresenta uma taxa média de 118,5 óbitos por causas externas por 100 mil habitantes, significativamente acima da média nacional (cerca de 72/100 mil) e da média estadual do Pará (cerca de 80/100 mil).
3.4.1. Série histórica de óbitos por causas externas (2020-2025)
| Ano | Óbitos causas externas | Total de óbitos | % causas externas | Taxa por 100 mil hab. |
|---|---|---|---|---|
| 2020 | 33 | 165 | 20,0% | 116,7 |
| 2021 | 32 | 149 | 21,5% | 113,2 |
| 2022 | 24 | 156 | 15,4% | 84,9 |
| 2023 | 38 | 153 | 24,8% | 134,4 |
| 2024 | 29 | 168 | 17,3% | 102,6 |
| 2025 | 45 | 168 | 26,8% | 159,2 |
| Total/Média | 201 | 959 | 21,0% | 118,5 (média) |
3.4.2. Distribuição por tipo de causa (2020-2025)
| Tipo de causa externa | Óbitos | % | Taxa anualizada/100 mil |
|---|---|---|---|
| Agressões (homicídios) X85-Y09 | 100 | 49,8% | 59,0 |
| Acidentes de transporte V01-V99 | 56 | 27,9% | 33,0 |
| Outras causas externas | 19 | 9,5% | 11,2 |
| Suicídio X60-X84 | 10 | 5,0% | 5,9 |
| Quedas W00-W19 | 7 | 3,5% | 4,1 |
| Afogamentos W65-W74 | 5 | 2,5% | 3,0 |
| Intenção indeterminada Y10-Y34 | 4 | 2,0% | 2,4 |
As agressões (homicídios) representam quase metade de todas as mortes por causas externas. A taxa de homicídios de 59,0/100 mil hab. é quase 3 vezes a média nacional (cerca de 22/100 mil) e 70% acima da média do Pará (aproximadamente 35/100 mil). Os acidentes de transporte ocupam o segundo lugar, com taxa de 33,0/100 mil hab. também acima da média nacional (cerca de 18/100 mil).
3.4.3. Taxas comparativas com médias estadual e nacional
| Indicador | Concórdia do Pará | Pará (aprox.) | Brasil (aprox.) |
|---|---|---|---|
| Mortalidade por causas externas (geral) | 118,5 | ~80 | ~72 |
| Mortalidade por homicídios | 59,0 | ~35 | ~22 |
| Mortalidade por acidentes de transporte | 33,0 | ~20 | ~18 |
| Mortalidade por suicídio | 5,9 | ~5 | ~7 |
| Mortalidade por afogamento | 3,0 | ~4 | ~3 |
3.4.4. Perfil das vítimas
A análise do perfil das vítimas de causas externas (2020-2025) evidencia padrão concentrado:
| Característica | Dado | Observação |
|---|---|---|
| Sexo masculino | 90,0% | 181 de 201 óbitos. Nos homicídios, razão de 49 homens para cada mulher. |
| Raça/cor parda ou preta | 89,1% | 179 de 201 óbitos. Entre homicídios, 95% das vítimas são pardas ou pretas. |
| Faixa etária 20-39 anos | 59,2% | 119 de 201 óbitos. Perda massiva de anos potenciais de vida (APVP). |
| Adolescentes (15-19 anos) | 10,9% | 22 óbitos, incluindo 8 homicídios de adolescentes do sexo masculino. |
3.4.5. Agressões por mecanismo
Dos 100 homicídios registrados no período 2020-2025:
| Mecanismo | Óbitos | % |
|---|---|---|
| Arma de fogo (X93 + X94 + X95) | 80 | 80,0% |
| Objeto cortante/penetrante (X99) | 14 | 14,0% |
| Outros mecanismos | 6 | 6,0% |
3.4.6. Tendência: comparativo entre triênios
| Indicador | 2020-2022 | 2023-2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Total causas externas | 89 | 112 | +25,8% |
| Agressões | 52 | 48 | -7,7% |
| Acidentes de transporte | 20 | 36 | +80,0% |
| Suicídio | 4 | 6 | +50,0% |
| Outros | 13 | 22 | +69,2% |
O total de causas externas cresceu 25,8% no triênio recente. Embora as agressões tenham apresentado leve queda entre triênios (-7,7%), o ano de 2025 mostra recrudescência com 24 homicídios. Os acidentes de transporte dobraram (+80%), indicando urgência de ações de segurança viária. A tendência geral é de deterioração, com 2025 sendo o pior ano da série.
3.5. Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos)
| Indicador | Linha de base (2022) | Previsão 2023 | Previsão 2024 | Previsão 2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|---|---|
| Taxa de mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos) | 17,00 | 16,00 | 15,00 | 14,00 | 15,40 |
Composição das DCNT monitoradas (CID-10): Doenças do aparelho circulatório (I00-I99), neoplasias malignas (C00-C97), diabetes mellitus (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36).
A tendência planejada era de redução gradual (17,00 para 14,00), mas a meta do novo plano (15,40) sugere que a redução não foi plenamente alcançada. Isso é coerente com a estrutura demográfica em transição: a população de 30-69 anos cresceu proporcionalmente no período, e as condições crônicas demandam acompanhamento longitudinal que exige equipes de APS qualificadas.
4. Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica (ICSAB)
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Proporção de ICSAB sobre total de internações | 9,00% | 9,00% | 9,90% |
A linha de base de 9,00% é relativamente baixa comparada à média nacional (em torno de 25-30%). Três hipóteses podem explicar esse valor:
1. Efetividade da APS: a cobertura de 86% em 2022, alcançando 100% a partir de 2023, pode estar contribuindo para manejo adequado na Atenção Primária.
2. Subregistro ou baixa resolutividade hospitalar: o hospital local pode não estar internando condições que em outros municípios gerariam AIH.
3. Evasão hospitalar: pacientes podem buscar internação em municípios vizinhos, não sendo contabilizados como residentes internados localmente.
A meta de 9,90% para 2026-2029 (ligeiramente superior à anterior) pode refletir ajuste da expectativa considerando a ampliação da capacidade diagnóstica hospitalar.
5. Indicadores de Saúde Materno-Infantil
A base local do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) registra 502 nascimentos em 2022, 455 em 2023, 442 em 2024 e 461 em 2025, totalizando 1.860 nascidos vivos no quadriênio. A proporção de mães adolescentes (10-19 anos) varia entre 21% e 24%, com 122 em 2022, 99 em 2023, 96 em 2024 e 110 em 2025, confirmando a magnitude da gravidez precoce discutida em 5.3. A cobertura de pré-natal com 7 ou mais consultas evoluiu de 265 (52,8%) em 2022 para 309 (67,0%) em 2025, em trajetória positiva, mas ainda distante de 80%. As cesáreas caíram de 282 (56,2%) em 2022 para 224 (48,6%) em 2025, e o número de recém-nascidos com baixo peso oscilou entre 30 e 35 ao ano, sem variação estatisticamente expressiva.
5.1. Onde acontecem os partos das mães residentes
A leitura do local de ocorrência mostra que Concórdia do Pará depende fortemente da rede regional e da capital para o parto de suas residentes. Na série local 2021-2025, foram 2.388 nascidos vivos de mães residentes no município: 590 partos (24,7%) ocorreram em Concórdia do Pará, enquanto 1.196 (50,1%) ocorreram em Belém e outros fluxos relevantes seguiram para Ananindeua, Acará e Tomé-Açu. Isso significa que, mesmo com maternidade municipal ativa, três em cada quatro partos são resolvidos fora do próprio município, exigindo pré-natal com estratificação de risco, transporte sanitário regulado e pactuação permanente com a Região de Saúde Metropolitana II, Belém e municípios vizinhos.
| Município de ocorrência | UF | Região de Saúde / CIR | Partos | % do total | Mediana anual |
|---|---|---|---|---|---|
| Belém | PA | Metropolitana I | 1.196 | 50,1% | 230 |
| Concórdia do Pará | PA | Metropolitana II | 590 | 24,7% | 89 |
| Ananindeua | PA | Metropolitana I | 197 | 8,2% | 46 |
| Acará | PA | Metropolitana II | 113 | 4,7% | 27 |
| Tomé-Açu | PA | Metropolitana II | 108 | 4,5% | 12 |
| Castanhal | PA | Metropolitana III | 68 | 2,8% | 15 |
| Marituba | PA | Metropolitana I | 52 | 2,2% | 10 |
| Santo Antônio do Tauá | PA | Metropolitana II | 23 | 1,0% | 7 |
| Demais municípios | PA/MA | Diversas | 41 | 1,7% | - |
O recorte por estabelecimento confirma o mesmo padrão. No período 2020-2024, a Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, concentrou 857 partos (35,9%), superando o Hospital e Maternidade João Lins de Oliveira, em Concórdia do Pará, com 756 partos (31,7%). A gestão estadual responde por quatro em cada dez partos e deve ser tratada como componente estruturante da linha de cuidado materno-infantil, não como exceção episódica.
| CNES | Estabelecimento | Município | Tipo de gestão | Partos | % do total |
|---|---|---|---|---|---|
| 2752700 | Santa Casa de Misericórdia do Pará | Belém | Estadual | 857 | 35,9% |
| 2622319 | Hospital e Maternidade João Lins de Oliveira | Concórdia do Pará | Municipal | 756 | 31,7% |
| 2615835 | Hospital Anita Gerosa | Ananindeua | Municipal | 102 | 4,3% |
| 7283458 | Hospital Santa Maria de Ananindeua | Ananindeua | Municipal | 96 | 4,0% |
| 2360411 | Hospital Municipal de Tomé-Açu | Tomé-Açu | Municipal | 93 | 3,9% |
| 2329484 | Hospital Municipal de Acará | Acará | Municipal | 83 | 3,5% |
| 2340992 | Hospital Ordem Terceira | Belém | Municipal | 81 | 3,4% |
| 2332671 | Hospital D. Luiz I | Belém | Dupla | 45 | 1,9% |
| - | Demais estabelecimentos, sem CNES informado ou registro incompleto | Diversos | Diversa/sem informação | 273 | 11,4% |
| Tipo de gestão | Partos | % do total |
|---|---|---|
| Municipal | 1.330 | 55,7% |
| Estadual | 954 | 40,0% |
| Dupla | 64 | 2,7% |
| Sem informação, parto não institucional ou registro incompleto | 38 | 1,6% |
5.2. Nascidos vivos e proporção de partos normais
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Proporção de parto normal no SUS | 76% (ver nota) | 80% | 88% |
Uma proporção de partos normais em torno de 76% já é superior à média nacional (que gira em torno de 55% no SUS). A meta de 88% para 2026-2029 é ambiciosa e adequada para um município de pequeno porte com pré-natal acompanhado na APS. Requer manutenção de boas práticas obstétricas e combate à cesariana sem indicação clínica.
Estimativa de nascidos vivos: considerando a população de 0 a 4 anos de 2.198 (2025), estima-se aproximadamente 400-450 nascidos vivos por ano.
5.3. Pré-natal com 7 ou mais consultas
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Proporção de NV com 7+ consultas de pré-natal | 39,70% | 60% | 66% |
Fatores contribuintes prováveis: Dispersão geográfica da população em área amazônica com comunidades rurais de difícil acesso; déficit de profissionais fixos (77% a 88% dos médicos e 94% a 97% dos enfermeiros com vínculo temporário); início tardio do pré-natal; e insuficiência de transporte sanitário para localidades ribeirinhas.
5.4. Gravidez na adolescência
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Proporção de gravidez na adolescência (10-19 anos) | 30% | 29% | 31,90% |
A população feminina de 10 a 19 anos em 2025 era de 2.567 (1.257 na faixa 10-14 + 1.310 na faixa 15-19), representando grupo prioritário para intervenções.
5.5. Investigação de óbitos materno-infantis
| Indicador | Linha de base | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Investigação de óbitos MIF em até 60 dias | 100% | 100% | 100% |
| Investigação de óbitos infantis e fetais em até 60 dias | 100% | 100% | 100% |
| Investigação de óbitos maternos | 100% | 100% | 100% |
A manutenção de 100% de investigação em todas as categorias é padrão de excelência que o município declara manter. Em cenário de poucos eventos (município de pequeno porte), a investigação integral é viável e essencial para identificar óbitos evitáveis e propor intervenções oportunas.
5.6. Rastreamento de câncer feminino
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Razão de exames citopatológicos (25-64 anos) | 0,23 | 0,27 | 0,44 |
| Razão de mamografias de rastreamento (50-69 anos) | 0,13 | 0,25 | 0,28 |
6. Cobertura Vacinal
| Indicador | Linha de base (2022) | Meta 2022-2025 | Meta 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| Coberturas vacinais adequadas do Calendário Básico (menores de 1 ano) | 95% | 95% | 95% |
A meta de 95% de cobertura vacinal é o parâmetro pactuado nacionalmente para a maioria dos imunobiológicos do Calendário Básico. A manutenção da mesma meta nos dois planos indica que o município considera ter capacidade de alcançá-la, porém a ausência de dados desagregados por vacina impede avaliar se há heterogeneidade (vacinas com cobertura abaixo de 95% enquanto outras estão acima).
7. Tendências e Série Histórica
7.1. Síntese das tendências observadas
| Indicador | Tendência | Período | Classificação |
|---|---|---|---|
| Mortalidade por causas externas | 118,5/100 mil hab. (média), pico de 159,2 em 2025 | 2020-2025 | Desfavorável (65% acima da média nacional) |
| Homicídios | 59,0/100 mil hab. (3x a média nacional) | 2020-2025 | Desfavorável |
| Acidentes de transporte (mortalidade) | +80% entre triênios | 2020-2025 | Desfavorável |
| Internações por causas externas | Crescimento de +53,5% | 2022-2025 | Desfavorável |
| Cobertura da APS | De 86% para 100% | 2022-2023 | Favorável |
| Consultas APS/hab/ano | De 0,97 para 1,21 | 2024-2025 | Melhoria, mas insuficiente |
| Mortalidade prematura por DCNT | Meta de 17,0 para 14,0 | 2022-2025 | A confirmar |
| Pré-natal 7+ consultas | Meta de 39,70% para 60% | 2022-2025 | A confirmar |
| Gravidez na adolescência | 30% (estável) | 2022 | Desfavorável (nível alto) |
| Precarização de vínculos (médicos) | 71-88% temporários | 2022-2025 | Desfavorável |
| Precarização de vínculos (enfermeiros) | 94-97% temporários | 2022-2025 | Desfavorável |
| CAPS | Implantado em 2023 | 2023 | Favorável |
| Rastreamento câncer feminino | 0,23 (citologia), 0,13 (mamografia) | 2022 | Desfavorável (muito baixo) |
7.2. Transição demográfica e epidemiológica
A comparação da pirâmide etária entre 2022 e 2025 evidencia o processo de transição demográfica em curso:
| Faixa | 2022 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| 0-14 anos (crianças) | 7.845 (27,5%) | 7.161 (25,3%) | -8,7% |
| 15-19 anos (adolescentes) | 2.986 (10,5%) | 2.760 (9,8%) | -7,6% |
| 20-59 anos (adultos) | 15.170 (53,1%) | 15.526 (54,9%) | +2,3% |
| 60+ anos (idosos) | 2.559 (9,0%) | 2.823 (10,0%) | +10,3% |
8. Problemas Identificados neste Componente
Problemas críticos
| # | Problema | Evidência | Impacto |
|---|---|---|---|
| 1 | Mortalidade por causas externas muito acima das médias estadual e nacional | Taxa de 118,5/100 mil hab. (65% acima da média nacional de ~72/100 mil). Homicídios: 59,0/100 mil (3x a média nacional). 2025: pior ano da série com 45 óbitos (159,2/100 mil). Vítimas: 90% homens, 89% pardos/pretos, 59% entre 20-39 anos. Armas de fogo: 80% dos homicídios. | Perda massiva de anos potenciais de vida, sobrecarga da rede de urgência, 71,6% dos óbitos fora de estabelecimentos de saúde |
| 2 | Proporção muito elevada de gravidez na adolescência | 30% dos NV de mães com 10 a 19 anos (quase o dobro da média nacional) | Risco materno-infantil elevado, ciclo de vulnerabilidade social, impacto em indicadores de pré-natal |
| 3 | Baixa cobertura de pré-natal com 7+ consultas | Linha de base de 39,70%; mais de 60% das gestantes sem acompanhamento adequado | Risco de mortalidade materna e infantil, detecção tardia de sífilis gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional |
| 4 | Precarização extrema dos vínculos profissionais | 77-88% dos médicos e 94-97% dos enfermeiros com vínculo temporário | Alta rotatividade, perda de longitudinalidade do cuidado, fragilidade das ações programáticas |
| 5 | Rastreamento de câncer feminino muito abaixo do parâmetro nacional | Citologia 0,23 (meta nacional: 0,50+), mamografia 0,13 (meta nacional: 0,30+) | Diagnóstico tardio de câncer de colo de útero e mama, mortalidade evitável |
Problemas importantes
| # | Problema | Evidência | Impacto |
|---|---|---|---|
| 6 | Consultas APS/hab/ano muito abaixo do parâmetro | 0,97 (2024) e 1,21 (2025) contra parâmetro de 2 a 3 | Baixa resolutividade da porta de entrada, possível deslocamento para urgência |
| 7 | Mortalidade prematura por DCNT com meta possivelmente não cumprida | Meta de 14,00 possivelmente não atingida; nova meta conservadora de 15,40 | Envelhecimento da população aumenta a pressão sobre esse indicador |
| 8 | Cobertura vacinal sem dados desagregados | Indicador SIPNI não disponível no Data Warehouse; meta genérica de 95% | Impossibilidade de identificar vacinas com cobertura heterogênea |
| 9 | Diagnóstico tardio de HIV | 15 casos com CD4 < 200 (diagnóstico em fase avançada) | Pior prognóstico, maior custo assistencial, maior período de transmissibilidade |
| 10 | Inconsistências numéricas nas metas do PMS | Meta de aids < 5 anos = 10 (era 0); meta de gravidez adolescência = 31,90% (era 29%) | Risco de comprometimento da credibilidade do instrumento de gestão |
Lacunas de informação
| # | Lacuna | Fonte esperada | Impacto na análise |
|---|---|---|---|
| L1 | Série histórica de notificações SINAN por agravo | SINAN nacional/DATASUS (dengue, malária, hanseníase, tuberculose, sífilis, HIV) | Impossibilidade de avaliar tendências de incidência das doenças transmissíveis |
| L2 | Mortalidade por causa desagregada (ranking completo por capítulo CID) | SIM nacional/DATASUS, óbitos por município de residência | Resolvido parcialmente: causas externas (Cap. XX) detalhadas na seção 3.4. Demais capítulos pendentes. |
| L3 | Cobertura vacinal por imunobiológico | SIPNI (não integrado ao DW) | Impossibilidade de avaliar homogeneidade vacinal |
| L4 | Prevalência de hipertensão e diabetes (e-SUS AB) | esus_ab.tb_fat_atendimento_individual | Perfil de DCNT baseado apenas em mortalidade e internação |
| L5 | Mortalidade infantil calculada (taxa por 1.000 NV) | SIM e SINASC nacionais/DATASUS | Taxa real não disponível para série histórica |
| L6 | Internações por causas externas desagregadas por tipo | SIH/SUS nacional/DATASUS, internações por causas externas (CID-10 V01-Y98) | Resolvido para mortalidade (SIM, seção 3.4). Desagregação das internações (SIHD) permanece pendente. |
Recomendações para o PMS 2026-2029
Fontes: PMS 2022-2025 de Concórdia do Pará, alertas críticos do quadriênio 2022-2025, Data Warehouse Akapu (SIM, SINASC, SINAN, SIHD, CNES), dados demográficos IBGE. Consulta abril/2026.
Lista de Siglas e Abreviações
| Sigla | Significado |
|---|---|
| ACS | Agente Comunitário de Saúde |
| AIH | Autorização de Internação Hospitalar |
| APS | Atenção Primária à Saúde |
| ASIS | Análise de Situação de Saúde |
| CAPS | Centro de Atenção Psicossocial |
| CIB | Comissão Intergestores Bipartite |
| CIR | Comissão Intergestores Regional |
| CNES | Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde |
| DATASUS | Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde |
| DGMP | DigiSUS Gestor - Módulo Planejamento |
| DOMI | Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores |
| DW | Data Warehouse |
| eSF | Equipe de Saúde da Família |
| eSB | Equipe de Saúde Bucal |
| e-SUS AB | Estratégia e-SUS Atenção Básica |
| IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística |
| MAC | Média e Alta Complexidade |
| PAS | Programação Anual de Saúde |
| PMS | Plano Municipal de Saúde |
| RAG | Relatório Anual de Gestão |
| RDQA | Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior |
| SIA | Sistema de Informações Ambulatoriais |
| SIH | Sistema de Informações Hospitalares |
| SIM | Sistema de Informações sobre Mortalidade |
| SINAN | Sistema de Informação de Agravos de Notificação |
| SINASC | Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos |
| SIOPS | Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde |
| SISAB | Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica |
| SMS | Secretaria Municipal de Saúde |
| SUS | Sistema Único de Saúde |
| TFD | Tratamento Fora de Domicílio |
Lista de Tabelas
- Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.
Lista de Gráficos e Figuras
- Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.
