Caderno de Saúde 04

Gestão do Trabalho e Educação na Saúde

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Município


1. Apresentação

Este Caderno de Saúde integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029 de Concórdia do Pará. Seu objetivo é analisar a situação da força de trabalho em saúde do município, os vínculos empregatícios, as condições de carreira e remuneração, as ações de educação permanente e a suficiência do quadro profissional para atender às necessidades de saúde da população.

A gestão do trabalho e da educação na saúde é componente estruturante do SUS. O desempenho dos serviços de saúde depende, em última instância, das pessoas que os executam. A quantidade, a qualificação, a motivação e a estabilidade dos profissionais determinam a capacidade resolutiva do sistema. Para um município de Porte I como Concórdia do Pará (28.270 habitantes, 2025), com Índice de Vulnerabilidade Social de 0,549 (muito alta vulnerabilidade), a gestão da força de trabalho é ainda mais crítica: a escassez e a rotatividade de profissionais comprometem diretamente a continuidade do cuidado e a vinculação da população com as equipes.

O PMS 2026-2029, na Diretriz n. 9, define como eixo estratégico a "contribuição à adequada formação, alocação, qualificação, valorização e democratização das relações de trabalho dos trabalhadores do SUS". Este caderno fornece a base diagnóstica para o cumprimento dessa diretriz.

As fontes de dados incluem: instrumentos de gestão do quadriênio 2022-2025 (RDQAs e RAGs registrados no DGMP), metas do PMS 2026-2029 (DOMI), estrutura organizacional da SMS (Lei Municipal 142/1997), Lei Municipal 581/2012 (Plano de Carreira e Remuneração), Lei Municipal 1.228/2025 (incentivo aos ACS) e dados do CNES.

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Análise da força de trabalho em saúde de Concórdia do Pará a partir do CNES, RDQAs e RAGs 2022-2025, PCR (Lei 581/2012) e estrutura organizacional (Lei 142/1997). Detalhes e fontes nas seções seguintes.

Indicadores-chave (2025)
  • Médicos com vínculo temporário: 77% (88% em 2024)
  • Enfermeiros com vínculo temporário: 97% (94% em 2022; em piora)
  • Consultas APS/hab/ano: 1,21 (parâmetro 2-3)
  • Estrutura organizacional: Lei 142/1997 (28 anos); PCR: Lei 581/2012 (13 anos)
  • Cobertura APS formal: 100%; ICSAB meta 9,9% (Meta 1.1.2)
Achados críticos
  • Apenas 3% dos enfermeiros e 23% dos médicos com vínculo estável; risco de colapso
  • Sem coordenação formal de educação permanente; ciclo "contratar-capacitar-perder"
  • PCR de 2012 não contempla CAPS, eMulti, regulação, SAMU
  • Hospital opera sem comissões obrigatórias (CCIH, Ética, Revisão de Prontuários)
  • Cobertura formal 100% sem produção correspondente (1,21 consultas/hab)
Recomendações ao PMS 2026-2029
  • Concurso público para médicos e enfermeiros (Meta 9.2.1: 100% vínculos protegidos)
  • Atualização da estrutura organizacional da SMS (substituir Lei 142/1997)
  • Revisão do PCR com inclusão das novas categorias e gratificações territoriais
  • Instituir coordenação de educação permanente vinculada a metas do PMS
  • Implantar comissões hospitalares obrigatórias e ampliar produtividade da APS

2. Estrutura organizacional de gestão de pessoas na SMS

A estrutura da SMS de Concórdia do Pará, definida pela Lei Municipal n. 142/1997, prevê a seguinte hierarquia para gestão de pessoal:

  • Departamento de Administração (ADM) - Administrar finanças, material e pessoal da SMS.
    • Divisão de Pessoal (PESS) - Gerir treinamento, recursos humanos e arquivo.
      • Setor de Treinamento e Recursos Humanos (TRH)
      • Arquivo (ARQ)

Análise

A estrutura formal é mínima para a complexidade atual da gestão de pessoas em saúde. A Divisão de Pessoal concentra responsabilidades de folha de pagamento, recrutamento, capacitação, gestão de contratos e dimensionamento de força de trabalho em um único setor, sem separação entre funções operacionais (admissão, folha, controle de ponto) e estratégicas (planejamento de RH, educação permanente, desprecarização). A ausência de uma coordenação formal de educação permanente é lacuna relevante, considerando as metas do PMS.

3. Quantitativo de profissionais por categoria

O município opera 18 Unidades Básicas de Saúde, 1 hospital geral de pequeno porte (Hospital João Lins de Oliveira), 1 CAPS I (implantado em 2023), 1 laboratório de análises clínicas, unidade de vigilância, farmácia municipal e base descentralizada do SAMU em habilitação (Proposta SAIPS n. 219675).

Com base nos dados dos RDQAs e RAGs do quadriênio 2022-2025, o quadro de profissionais alocados na rede municipal de saúde inclui as seguintes categorias principais:

Categoria profissionalPresença na redeObservação
Médicos (generalistas e ESF)SimLotados na APS e hospital
EnfermeirosSimLotados na APS, hospital e CAPS
Técnicos/auxiliares de enfermagemSimAPS, hospital e urgência
Cirurgiões-dentistasSimEquipes de saúde bucal
Agentes Comunitários de Saúde (ACS)Sim18 UBS, cobertura territorial
Agentes de Combate a Endemias (ACE)SimVigilância ambiental
FarmacêuticoSimFarmácia municipal
Profissionais NASF/eMultiSimApoio matricial às equipes
Profissionais do CAPSSimEquipe multiprofissional desde 2023
Condutores socorristasEm implantaçãoPrevistos para SAMU 192
Nota: O quantitativo exato por categoria e por estabelecimento não está discriminado nos instrumentos de gestão consultados. Recomenda-se que a SMS consolide um censo de força de trabalho atualizado, discriminando por estabelecimento, categoria profissional, carga horária e tipo de vínculo, como base para o dimensionamento no quadriênio 2026-2029.

3.1. Composição segundo o CNES (competência 202602)

Como referência paralela aos instrumentos de gestão, a leitura do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) na competência fevereiro/2026 permite quantificar a força de trabalho efetivamente vinculada à rede municipal. As principais ocupações registradas são Agentes Comunitários de Saúde (CBO 515105) com 76 profissionais e 3.040 horas ambulatoriais semanais, Técnicos de Enfermagem (CBO 322205) com 54 profissionais e 1.120 horas, Recepcionistas em consultórios médicos (CBO 411010) com 25 profissionais, Auxiliares de Enfermagem (CBO 322245) com 20 profissionais e 800 horas, motoristas (CBO 782320) com 20 profissionais, Agentes de Combate às Endemias (CBO 514320) com 20 profissionais, faxineiros e auxiliares de serviços gerais (CBO 517420) com 16 profissionais e Enfermeiros (CBO 223505) com 15 profissionais e 355 horas ambulatoriais. Essa composição confirma o desenho de rede com forte base territorial (ACS e ACE somam 96 profissionais) e quadro reduzido de profissionais de nível superior, o que reforça o diagnóstico de subdimensionamento clínico discutido nas próximas seções.

4. Vínculos empregatícios

A análise dos vínculos empregatícios dos profissionais de saúde de Concórdia do Pará é o ponto mais crítico deste caderno. Os dados dos RDQAs e RAGs do quadriênio 2022-2025, consolidados nos alertas do DGMP, revelam um quadro de precarização sistemática e persistente dos vínculos de trabalho, particularmente nas categorias de médicos e enfermeiros.

4.1. Médicos - percentual de vínculos temporários

Ano% de médicos com vínculo temporárioTendência
202271% a 76%Linha de base
202371% a 80%Estável/crescente
202488%Pico de precarização
202577%Leve recuo, ainda crítico

Análise

A proporção de médicos temporários oscilou entre 71% e 88% ao longo do quadriênio, com pico em 2024. Isso significa que, a cada ponto no tempo, apenas 1 em cada 4 a 5 médicos do município detém vínculo estável (estatutário ou CLT). A precarização médica tem implicações graves: alta rotatividade, descontinuidade do cuidado longitudinal na APS, fragilidade no vínculo profissional-paciente, perda de memória institucional e dificuldade de implementar protocolos clínicos sustentáveis.

O recuo de 88% para 77% em 2025 pode indicar realização de concurso ou contratação via processo seletivo mais estável, mas o patamar continua incompatível com a meta do PMS (Diretriz 9, Objetivo 9.2: ampliar para 100% os trabalhadores com vínculos protegidos).

4.2. Enfermeiros - percentual de vínculos temporários

Ano% de enfermeiros com vínculo temporárioTendência
202294%Linha de base
202394% a 95%Estável
202496%Crescente
202597%Pico - agravamento contínuo

Análise

A situação dos enfermeiros é ainda mais grave que a dos médicos. A precarização é praticamente universal: 97% dos enfermeiros em 2025 possuem vínculo temporário. Em termos concretos, isso significa que praticamente toda a enfermagem do município pode ser desligada ao término dos contratos, sem garantias trabalhistas plenas e sem continuidade assistencial.

O enfermeiro é a espinha dorsal da Atenção Primária: coordena as equipes de Saúde da Família, executa consultas de enfermagem, realiza pré-natal, puericultura, acompanhamento de crônicos, supervisiona os ACS e é responsável pela organização do processo de trabalho nas UBS. A precarização de 97% dessa categoria compromete a resolutividade de toda a rede.

A tendência é agravante: diferentemente dos médicos, que tiveram leve recuo em 2025, os enfermeiros apresentam crescimento contínuo da precarização a cada ano do quadriênio.

4.3. Demais categorias

Dado não disponível - fonte esperada: RDQAs e RAGs com detalhamento por categoria (técnicos de enfermagem, dentistas, ACS, ACE, profissionais do NASF/eMulti). Recomenda-se que o diagnóstico para o PMS 2026-2029 inclua análise de vínculos de todas as categorias.

4.4. Síntese da precarização

O quadro geral de precarização do trabalho em Concórdia do Pará representa um risco estrutural para o SUS municipal:

  1. Descontinuidade assistencial: profissionais temporários tendem a permanecer por períodos curtos, impedindo a construção de vínculo longitudinal com a população - princípio fundamental da APS.
  2. Custo recorrente de recrutamento e treinamento: a alta rotatividade impõe ao município ciclos contínuos de seleção, contratação e capacitação de novos profissionais, consumindo recursos que poderiam ser direcionados ao cuidado.
  3. Risco trabalhista: contratos temporários sucessivos podem configurar vínculo empregatício permanente perante a Justiça do Trabalho, expondo o município a passivos judiciais.
  4. Desmotivação e evasão: a ausência de perspectiva de carreira e estabilidade dificulta a fixação de profissionais no município, especialmente médicos, que dispõem de amplo mercado de trabalho alternativo.
  5. Fragilidade institucional: a dependência de contratos temporários torna a rede vulnerável a descontinuidades por decisão política ou administrativa (troca de gestão, contingenciamento).

Evolução da precarização dos vínculos (2022-2025)

5. Plano de Cargos, Carreira e Remuneração

5.1. Lei Municipal n. 581/2012 - Plano de Carreira e Remuneração dos Servidores da Saúde

O município dispõe de Plano de Carreira e Remuneração (PCR) instituído pela Lei Municipal n. 581/2012, que dispõe sobre o plano de carreira e remuneração dos servidores da saúde. A existência desse instrumento é positiva: a maioria dos municípios brasileiros de Porte I não possui PCR específico para a saúde.

Situação atual: Embora o PCR exista formalmente, a taxa de precarização (77% dos médicos e 97% dos enfermeiros em vínculos temporários em 2025) indica que o plano não está sendo efetivamente utilizado como instrumento de atração e fixação de profissionais. O número reduzido de servidores estatutários sugere que os concursos públicos para provimento de cargos do PCR são infrequentes ou com oferta insuficiente de vagas.

Dado não disponível - fonte esperada: texto integral da Lei 581/2012 com tabela de cargos, classes, níveis e remuneração. Recomenda-se leitura completa do instrumento para avaliar se os valores de remuneração são competitivos e se a progressão funcional é efetiva.

5.2. Lei Municipal n. 1.228/2025 - Incentivo aos Agentes Comunitários de Saúde

A Lei Municipal n. 1.228/2025 estabelece incentivos específicos para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A edição dessa lei em 2025 é consistente com a legislação federal (Lei 11.350/2006, alterada pela Lei 13.595/2018), que determina piso salarial nacional e vínculo direto com a administração pública para os ACS.

A existência de legislação municipal complementar para os ACS indica que o município reconhece a especificidade dessa categoria. Os ACS são peça fundamental da ESF: são os profissionais que realizam a busca ativa, o cadastramento domiciliar e a vigilância territorial. Em um município com comunidades rurais e quilombolas, como Concórdia do Pará, a fixação e valorização dos ACS é ainda mais estratégica.

5.3. Recomendação

O quadriênio 2026-2029 deve priorizar:

  1. Revisão e atualização do PCR (Lei 581/2012): avaliar se os cargos, as remunerações e a progressão funcional são adequados à realidade atual, incluindo cargos que não existiam em 2012 (profissionais do CAPS, eMulti, SAMU).
  2. Realização de concurso público: para provimento de cargos do PCR, com foco prioritário em enfermeiros e médicos, reduzindo a dependência de contratos temporários.
  3. Regulamentação de incentivos para fixação em áreas rurais: considerando a dispersão territorial do município e a existência de comunidades de difícil acesso.

6. Educação permanente em saúde

6.1. Metas do PMS

A Diretriz n. 9 do PMS, Objetivo 9.1, estabelece a meta de implementar ações de educação permanente para qualificação das redes de atenção. A previsão anual no DOMI é:

AnoMeta (% de ações de EP implementadas)
202260%
202370%
202480%
202590%
202699%
Meta PMS 2026-202999%

6.2. Análise da situação

A meta de 99% de ações de educação permanente implementadas para o quadriênio 2026-2029 é ambiciosa e coerente com a necessidade do município. Contudo, a efetividade da educação permanente depende de fatores que merecem atenção:

a) Estrutura de gestão: Conforme analisado na seção 2, a SMS não possui coordenação formal de educação permanente. O Setor de Treinamento e Recursos Humanos (TRH), subordinado à Divisão de Pessoal, acumula funções operacionais de RH com a responsabilidade de planejar e executar ações educativas, o que limita a capacidade de atuação estratégica.

b) Rotatividade como obstáculo: A alta precarização dos vínculos profissionais gera rotatividade elevada, o que compromete o investimento em educação permanente. Capacitar profissionais que serão desligados em poucos meses representa desperdício de recursos e perda de competências organizacionais. A educação permanente só é sustentável quando a força de trabalho é estável.

c) Áreas prioritárias para EP no quadriênio 2026-2029:

  • Classificação de risco e acolhimento (APS e hospital)
  • Protocolos de atenção à saúde da mulher (pré-natal, puerpério, rastreamento de câncer)
  • Manejo de doenças crônicas na APS (hipertensão, diabetes)
  • Saúde mental na APS e matriciamento CAPS-APS (meta 5.1.2: 20 ações anuais)
  • Vigilância epidemiológica e notificação compulsória
  • Urgência e emergência (capacitação para implantação do SAMU)
  • Registro e alimentação de sistemas de informação (e-SUS, SIA, SIHD)

d) Integração regional: A Região de Saúde Metropolitana II pode ser aproveitada como espaço de educação permanente compartilhada, reduzindo custos e ampliando o acesso a formações especializadas.

6.3. Mesa de negociação permanente

A Diretriz n. 9, Objetivo 9.3, prevê a implantação e manutenção de 1 mesa de negociação permanente do SUS no município (meta 9.3.1). A mesa de negociação é espaço de diálogo entre gestão e trabalhadores para tratar de condições de trabalho, remuneração, jornada e conflitos laborais. A implantação desse espaço é fundamental para a democratização das relações de trabalho, conforme preconizado pela Política Nacional de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (NOB/RH-SUS).

7. Suficiência da força de trabalho

7.1. Cobertura de APS

O município mantém cobertura populacional estimada de 100% pelas equipes de Atenção Primária desde 2023 (meta 1.1.1 do PMS). Com 18 UBS para 28.270 habitantes, a razão é de aproximadamente 1 UBS para cada 1.570 habitantes, compatível com o parâmetro da ESF (1 equipe para 2.000 a 3.500 pessoas).

No entanto, a cobertura formal de 100% contrasta com a produção de apenas 1,21 consultas APS/habitante/ano em 2025 (e apenas 0,97 em 2024), valor inferior ao parâmetro de 2 a 3 consultas/hab/ano recomendado. Isso sugere que, embora haja equipes suficientes no papel, a capacidade efetiva de atendimento está aquém do necessário, seja por absenteísmo, vagas não preenchidas, carga horária insuficiente ou problemas de processo de trabalho.

7.2. Equipes de Saúde Bucal

A cobertura de saúde bucal também é de 100% (meta 1.1.4), com equipes distribuídas pelas UBS. A meta de escovação supervisionada é de 0,66% para o quadriênio 2026-2029.

7.3. CAPS I

O CAPS I foi implantado em 2023, atendendo à necessidade de um município com população acima de 20 mil habitantes. A meta é manter 1 CAPS implantado (meta 5.1.1). O funcionamento adequado do CAPS depende de equipe multiprofissional estável, o que é desafiador no contexto de precarização descrito.

7.4. SAMU 192

O município obteve parecer de mérito favorável no SAIPS para habilitação do SAMU (Proposta n. 219675). A implantação do serviço demandará contratação de médicos plantonistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores socorristas, categoria ainda inexistente no quadro municipal. A proposta de emenda parlamentar n. 36000779081202600 prevê recursos para remuneração desses profissionais. A garantia de vínculo adequado para a equipe do SAMU deve ser prioridade desde a implantação.

7.5. Hospital João Lins de Oliveira

O hospital de pequeno porte opera sem as comissões obrigatórias (CCIH, Revisão de Prontuários, Ética), conforme identificado no Caderno 03. A constituição dessas comissões depende da disponibilidade de profissionais qualificados e com carga horária destinada a essas atividades, o que remete ao desafio de dimensionamento da força de trabalho hospitalar.

8. Problemas identificados

P1. Precarização extrema dos vínculos de enfermagem (97% temporários em 2025). A quase totalidade dos enfermeiros do município está em vínculo temporário, com tendência de agravamento a cada ano. Essa situação é a mais grave entre todas as categorias analisadas e representa risco de colapso funcional em caso de não renovação dos contratos ou de descontinuidade administrativa. A enfermagem é a categoria que organiza o processo de trabalho nas UBS e no hospital; sua instabilidade compromete toda a rede.
P2. Precarização crônica dos vínculos médicos (77% temporários em 2025). Embora com leve melhora em relação a 2024 (88%), três quartos dos médicos permanecem em vínculo temporário. A dependência de contratações temporárias para a categoria médica gera rotatividade elevada, comprometendo a longitudinalidade do cuidado na APS e a confiança da população nos serviços.
P3. Contradição entre meta do PMS e realidade dos vínculos. O PMS 2026-2029 estabelece meta de 100% de trabalhadores com vínculos protegidos (meta 9.2.1). A distância entre essa meta e a realidade (3% dos enfermeiros e 23% dos médicos com vínculo estável) indica que o cumprimento da diretriz exige ação concreta e imediata, particularmente a realização de concurso público.
P4. Ausência de coordenação formal de educação permanente. A estrutura organizacional da SMS, datada de 1997, não prevê coordenação de educação permanente. As ações de EP ficam subordinadas ao Setor de Treinamento e RH, que acumula funções operacionais. A institucionalização de uma coordenação de EP é necessária para cumprir as metas do PMS e para qualificar as ações de todas as redes de atenção.
P5. Rotatividade como fator de ineficiência da educação permanente. O investimento em capacitação de profissionais temporários apresenta retorno reduzido, pois parte significativa dos capacitados deixa o município ao término dos contratos. O ciclo "contratar-capacitar-perder" é ineficiente e oneroso.
P6. Necessidade de dimensionamento de força de trabalho para novos serviços. A implantação do SAMU 192 e a manutenção do CAPS I exigem profissionais com perfil específico e com dedicação garantida. A contratação desses profissionais via vínculo temporário reproduziria o padrão de precarização já existente, comprometendo a continuidade dos serviços.
P7. PCR de 2012 potencialmente desatualizado. O Plano de Carreira e Remuneração (Lei 581/2012) tem mais de uma década e pode não contemplar cargos e funções atuais (profissionais do CAPS, eMulti, regulação, SAMU). A revisão do PCR é condição para que o instrumento cumpra sua finalidade de atração e fixação de profissionais.
P8. Produtividade da APS abaixo do esperado, apesar de cobertura formal de 100%. A razão de 1,21 consultas APS/hab/ano (2025) sugere que as equipes existentes não operam em sua capacidade plena, o que pode estar relacionado a absenteísmo, vagas não preenchidas, processos de trabalho inadequados ou falta de insumos. A gestão do trabalho deve investigar as causas da baixa produtividade.

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.

Legislação Citada

A base normativa abaixo deve ser lida em conjunto com as normas específicas citadas no corpo do Gestão do Trabalho. Os links apontam para fontes oficiais de consulta pública na internet.

NormaEmenta curta / uso no cadernoLink oficial
Constituição Federal de 1988Arts. 196 a 200 - base constitucional do SUShttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Lei no 8.080/1990Lei Orgânica da Saúde - organização, competências e planejamento do SUShttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
Lei no 8.142/1990Participação social e transferências intergovernamentais no SUShttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm
Lei Complementar no 141/2012Aplicação mínima em ações e serviços públicos de saúde, fiscalização e controlehttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm
Decreto no 7.508/2011Regiões de Saúde, Mapa da Saúde, planejamento regional e organização das redeshttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm
Portaria de Consolidação GM/MS no 1/2017Normas sobre organização e funcionamento do SUS; Título IV dos instrumentos de gestãohttps://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0001_03_10_2017.html

Fontes de dados

  • IBGE - Censo Demográfico 2022 e estimativas populacionais municipais usadas como denominadores.
  • DATASUS - sistemas SIM, SINASC, SINAN, SIH/SUS, SIA/SUS, CNES, SISAB e SIOPS, conforme pertinência temática do caderno.
  • DigiSUS Gestor - Módulo Planejamento (DGMP) - instrumentos de gestão municipal e registros de monitoramento do ciclo anterior.
  • Data Warehouse Akapu - bases públicas e bases locais tratadas para análise histórica, com data de consulta registrada no corpo do caderno quando disponível.

Glossário técnico

TermoDefinição operacional
Análise de Situação de Saúde (ASIS)Leitura técnica das condições de saúde, da rede e dos determinantes sociais que fundamenta o Plano Municipal de Saúde.
Data Warehouse AkapuAmbiente analítico que consolida bases públicas e locais para gerar séries históricas e indicadores de apoio à gestão.
Mapa da SaúdeDescrição geográfica da distribuição de recursos humanos, ações, serviços e indicadores de saúde em uma região.
Plano Municipal de Saúde (PMS)Instrumento central de planejamento do SUS municipal para o período de quatro anos.
Programação Anual de Saúde (PAS)Desdobramento anual do PMS, com ações, metas e recursos previstos para cada exercício.
Fontes: DGMP, RDQAs e RAGs 2022-2025, PMS 2026-2029 (DOMI), Lei Municipal 142/1997, Lei Municipal 581/2012, Lei Municipal 1.228/2025, CNES/MS.
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