Caderno de Saúde 07

Determinantes Sociais

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Município


1. Apresentação

Este Caderno de Saúde integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029 de Concórdia do Pará. Seu objetivo é analisar os determinantes sociais da saúde no município, isto é, as condições de vida que influenciam diretamente o estado de saúde da população e que estão, em grande medida, fora do alcance direto do sistema de saúde.

O modelo de determinantes sociais da saúde, adotado pela OMS e pelo SUS, reconhece que a saúde é produzida por um conjunto de fatores que incluem condições socioeconômicas, saneamento, habitação, educação, emprego, alimentação, meio ambiente e acesso a bens e serviços. Para um município como Concórdia do Pará - classificado com Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) de 0,549 (muito alta vulnerabilidade) -, a análise dos determinantes sociais é indispensável para compreender por que a população adoece, quais grupos são mais afetados e onde a atuação intersetorial pode gerar maior impacto.

A Constituição Federal (art. 196) define saúde como "direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação". A Lei Orgânica de Concórdia do Pará reproduz esse princípio no art. 203.

As fontes de dados incluem: IBGE (Censo 2022 e estimativas), Índice de Vulnerabilidade Social (IVS/IPEA), dados demográficos do Data Warehouse Akapu, instrumentos de gestão do quadriênio 2022-2025 (RDQAs e RAGs) e metas do PMS 2026-2029 (DOMI).

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Análise dos determinantes sociais da saúde de Concórdia do Pará a partir do IVS/IPEA, Censo 2022 (IBGE), DGMP e RAGs 2022-2025. Detalhes e fontes nas seções seguintes.

Indicadores-chave
  • IVS: 0,549 (muito alta vulnerabilidade)
  • Gravidez na adolescência: 30% dos NV (mães 10-19; ~2x média nacional)
  • Saneamento básico: monitoramento de água em 100% (Meta 7.2.1) - cobertura atual abaixo
  • Populações quilombolas e ribeirinhas com barreiras de acesso potencializadas
  • Transição demográfica e nutricional simultânea
Achados críticos
  • IVS muito alto como condição estrutural; redução exige ação intersetorial
  • Saneamento insuficiente como principal determinante da carga de doenças infecciosas
  • Gravidez na adolescência elevada associada a baixa escolaridade e acesso restrito
  • Dados insuficientes no diagnóstico (saneamento, educação, renda) prejudicam o planejamento
  • Tríplice transição (menos crianças, mais idosos, transição nutricional) exige reorganização
Recomendações ao PMS 2026-2029
  • Mecanismo formal de articulação intersetorial (saúde, educação, assistência, infraestrutura)
  • Diagnóstico complementar com dados Censo 2022, SNIS e CadÚnico
  • Estratégias específicas para quilombolas e ribeirinhos (eSF itinerantes, ACS locais)
  • Plano de redução da gravidez adolescente integrado com PSE
  • Vigilância da qualidade da água em 100% das amostras

2. Índice de Vulnerabilidade Social (IVS)

2.1. Visão geral

O IVS de Concórdia do Pará é de 0,549, classificado na faixa de muito alta vulnerabilidade (IVS acima de 0,500). O IVS é composto por três dimensões:

Dimensão do IVSO que medeImpacto na saúde
Infraestrutura UrbanaAcesso a saneamento, mobilidade urbana, condições de moradiaDoenças de veiculação hídrica, doenças respiratórias, acidentes
Capital HumanoEducação, saúde materno-infantil, condições de juventudeMortalidade infantil, gravidez na adolescência, baixa escolaridade
Renda e TrabalhoRenda per capita, taxa de ocupação, informalidadeInsegurança alimentar, acesso a medicamentos, estresse crônico

2.2. Análise

O valor de 0,549 posiciona Concórdia do Pará entre os municípios com piores condições de vida do país. A classificação de "muito alta vulnerabilidade" não é apenas um indicador estatístico: ela traduz condições concretas que afetam a saúde da população em todas as faixas etárias e em todos os territórios do município.

Para o planejamento em saúde, o IVS tem implicações diretas:

1. Maior carga de doença: populações vulneráveis apresentam maior prevalência de doenças infecciosas, desnutrição, doenças crônicas precoces e agravos relacionados à violência.

2. Menor acesso efetivo aos serviços: mesmo com 100% de cobertura ESF, barreiras sociais (distância, custo de deslocamento, analfabetismo, insegurança alimentar) reduzem o acesso efetivo da população mais vulnerável.

3. Maior demanda por ações intersetoriais: o SUS, isoladamente, não é capaz de modificar os determinantes sociais. A redução do IVS exige articulação com educação, assistência social, habitação, saneamento e desenvolvimento econômico.

3. Saneamento básico

3.1. Abastecimento de água

A Lei Orgânica de Concórdia do Pará (art. 30, inciso XV) atribui ao município a responsabilidade de "prover o saneamento básico, notadamente o abastecimento de água e o aterro sanitário".

O PMS 2026-2029 (meta 7.2.1) prevê "ampliar a proporção de análises realizadas em amostras de água para consumo humano", com meta progressiva de 70% (2022) a 100% (2026-2029). A existência dessa meta indica que a vigilância da qualidade da água ainda não é universal e que parte da população consome água sem monitoramento adequado.

3.2. Esgotamento sanitário

O esgotamento sanitário é um dos determinantes mais relevantes para a saúde, especialmente para doenças diarreicas, parasitoses intestinais e hepatite A. Para municípios do interior do Pará, a cobertura de rede coletora de esgoto é tipicamente muito baixa, com predominância de fossas (sépticas ou rudimentares) e, em áreas rurais, lançamento direto em corpos d'água.

3.3. Coleta de resíduos sólidos

A coleta e a destinação adequada de resíduos sólidos afetam a saúde por meio do controle de vetores (dengue, leptospirose), da prevenção de contaminação do solo e das águas e da redução de acidentes com materiais cortantes/perfurantes em lixões.

3.4. Impacto na saúde

A insuficiência do saneamento básico tem relação direta com:

Internações por doenças diarreicas agudas (DDA): especialmente em crianças menores de 5 anos (2.198 crianças de 0-4 anos no município, 7,8% da população).

Parasitoses intestinais: reduzem a absorção de nutrientes e comprometem o desenvolvimento infantil.

Hepatite A: transmissão fecal-oral relacionada à falta de saneamento.

Leptospirose: associada a áreas alagáveis e presença de roedores.

Doenças de pele e infecções: relacionadas ao contato com água contaminada.

4. Educação

4.1. Contexto

A educação é determinante social de saúde de primeira ordem. A escolaridade da mãe é o fator individual mais fortemente associado à mortalidade infantil, à desnutrição e ao acesso a cuidados de saúde. A escolaridade da população adulta influencia a compreensão das orientações de saúde, a adesão a tratamentos e a capacidade de navegar o sistema de saúde.

4.2. Dados disponíveis

O IVS na dimensão Capital Humano incorpora indicadores de educação que contribuem para a classificação de muito alta vulnerabilidade. Indicadores específicos de educação para Concórdia do Pará incluem:

Presença de crianças em idade escolar: 7.161 crianças de 0-14 anos (25,3% da população) e 2.760 adolescentes de 15-19 anos (9,8%).

Legislação municipal: A Lei Orgânica (arts. 208-223) estabelece o direito à educação, gratuidade, transporte escolar gratuito para estudantes rurais (art. 222, par. único) e inspeção médica obrigatória nos estabelecimentos de ensino (art. 216).

4.3. Impacto na saúde

Gravidez na adolescência: a meta 3.1.1 do PMS registra proporção de gravidez na adolescência de 30% (2022), com meta de redução para 31,90% no quadriênio 2026-2029. A prevalência elevada de gravidez na adolescência é fortemente associada a baixa escolaridade e a condições socioeconômicas desfavoráveis.

Adesão a programas de saúde: a meta de cobertura de acompanhamento das condicionalidades do Programa Bolsa Família (meta 1.1.3: 100% para 2026-2029) articula saúde e educação, pois o programa exige frequência escolar e acompanhamento de saúde das crianças.

Busca ativa de escolares: a meta 7.1.16 prevê busca ativa de tracoma em escolares, articulando vigilância epidemiológica e ambiente escolar.

5. Renda e trabalho

5.1. Contexto

A renda é determinante fundamental do acesso a alimentação, moradia, transporte e cuidados de saúde. A dimensão Renda e Trabalho do IVS captura a vulnerabilidade econômica da população, incluindo renda per capita, informalidade e desocupação.

5.2. Dados disponíveis

O IVS de 0,549 indica que a dimensão de renda e trabalho contribui significativamente para a vulnerabilidade do município. Concórdia do Pará é um município de Porte I, com economia baseada predominantemente na agricultura familiar, no extrativismo e no funcionalismo público.

A Lei Orgânica (arts. 170-177) estabelece políticas de apoio à agricultura, incluindo assistência técnica, crédito rural, cooperativas e comercialização direta do produtor ao consumidor. A economia do município não apresenta diversificação industrial ou de serviços significativa.

5.3. Impacto na saúde

Insegurança alimentar: a baixa renda da população, combinada com a dependência de agricultura familiar, cria vulnerabilidade à insegurança alimentar, especialmente em períodos de entressafra ou de eventos climáticos adversos.

Informalidade e ausência de proteção trabalhista: trabalhadores informais não têm acesso a licença médica, auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, o que os força a trabalhar mesmo doentes e a adiar a busca por cuidado de saúde.

Dependência de programas de transferência de renda: o Programa Bolsa Família (PBF) é instrumento fundamental para a segurança de renda da população mais vulnerável. A meta do PMS (1.1.3) prevê acompanhamento de 100% das condicionalidades de saúde do PBF, articulando proteção social e cuidado de saúde.

Custo de deslocamento como barreira de acesso: para populações rurais com renda limitada, o custo de deslocamento até as UBS, o hospital ou os serviços de referência em Castanhal e Belém pode ser barreira intransponível de acesso.

6. Habitação

6.1. Contexto

As condições de habitação afetam a saúde por meio da exposição a vetores, do adensamento domiciliar (transmissão de doenças respiratórias e tuberculose), da ausência de instalações sanitárias adequadas e da vulnerabilidade a desastres naturais (alagamentos, desabamentos).

6.2. Dados disponíveis

A Lei Orgânica (art. 30, inciso IX) atribui ao município a responsabilidade de "promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico". O art. 172 detalha a política de desenvolvimento urbano, incluindo "urbanização, regularização e titulação de áreas urbanas para a população carente" e "saneamento básico".

6.3. Impacto na saúde

Doenças respiratórias: domicílios com adensamento excessivo e ventilação inadequada favorecem a transmissão de tuberculose, pneumonia e outras infecções respiratórias.

Acidentes domésticos: habitações precárias aumentam o risco de acidentes com crianças e idosos.

Saúde mental: condições habitacionais precárias e insegurança de moradia são fatores de risco para depressão e ansiedade.

Doenças vetoriais: habitações sem telas, com acúmulo de água e em áreas alagáveis favorecem dengue, malária (meta 7.1.17 do PMS: manter IPA em 0%) e leishmaniose.

7. Segurança alimentar e nutricional

7.1. Contexto

A segurança alimentar - acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente - é determinante de saúde que afeta especialmente crianças, gestantes e idosos. A desnutrição infantil, a anemia e a deficiência de micronutrientes comprometem o desenvolvimento físico e cognitivo e aumentam a vulnerabilidade a doenças.

7.2. Dados disponíveis

A Lei Orgânica (art. 30, inciso VIII) prevê "fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento e a segurança alimentar". As metas do PMS incluem:

Alimentação saudável na APS (meta 3.2.1): implantar ações de incentivo às práticas de alimentação saudável em 100% das equipes de APS (meta para 2026-2029: 100%).

Atividade física na APS (meta 3.2.2): implantar ações de atividade física em 80% das UBS até 2029.

Acompanhamento do Bolsa Família (meta 1.1.3): o PBF inclui monitoramento nutricional como condicionalidade de saúde.

A presença de Polo de Academia da Saúde no município indica investimento em promoção de hábitos saudáveis, articulando alimentação e atividade física.

7.3. Impacto na saúde

Desnutrição infantil: em município com IVS de muito alta vulnerabilidade, a prevalência de desnutrição infantil tende a ser acima da média nacional. O acompanhamento das condicionalidades do PBF é mecanismo de detecção precoce.

Sobrepeso e obesidade: a transição nutricional em municípios do interior do Pará combina desnutrição em crianças com sobrepeso em adultos, devido ao consumo de alimentos ultraprocessados de baixo custo.

Doenças crônicas associadas à alimentação: hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares - o município tem meta de reduzir a mortalidade prematura (30-69 anos) pelas 4 principais DCNT (meta 6.1.2: 15,40% para 2026-2029), o que depende, em parte, de intervenções sobre alimentação.

8. Populações vulneráveis

8.1. Comunidades quilombolas

As justificativas técnicas das propostas de emendas parlamentares 2026 fazem referência explícita a "comunidades rurais e quilombolas" como público prioritário das ações de saúde. A presença de comunidades quilombolas no território de Concórdia do Pará é relevante para o planejamento por diversos motivos:

Acesso: comunidades quilombolas frequentemente estão localizadas em áreas de difícil acesso, dependendo de estradas não pavimentadas ou de transporte fluvial.

Determinantes específicos: a população quilombola enfrenta determinantes de saúde agravados pela situação fundiária, pelo isolamento geográfico e pela insuficiência de infraestrutura (saneamento, energia, comunicação).

Políticas específicas: a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e Quilombolas preveem ações diferenciadas para essas populações.

ACS locais: a Lei Orgânica (art. 205, par. 1) prevê que "os postos de saúde devem ter um agente de saúde da própria comunidade", princípio particularmente relevante para comunidades quilombolas.

8.2. Populações ribeirinhas e rurais

Concórdia do Pará possui extenso território rural. As populações ribeirinhas e rurais enfrentam:

Distância dos serviços de saúde urbanos.

Dependência de transporte fluvial ou de estradas precárias.

Ocupações com exposição a riscos (agricultura, extrativismo, pesca).

Maior vulnerabilidade a doenças de veiculação hídrica e vetoriais.

Menor acesso a informações de saúde e a programas preventivos.

As ações de busca ativa das equipes de APS e dos ACS são o principal mecanismo de acesso dessas populações ao sistema de saúde. A emenda 36000779029202600 prevê recursos para busca ativa e vacinação itinerante nessas comunidades.

8.3. Crianças e adolescentes

O município possui 9.921 crianças e adolescentes de 0 a 19 anos (35,1% da população), o que configura uma estrutura demográfica ainda jovem. As vulnerabilidades específicas incluem:

Mortalidade infantil: metas de manutenção em zero de óbitos infantis e maternos evitáveis (metas 4.2.3 e 4.2.4).

Gravidez na adolescência: proporção de 30% (2022), com meta de redução.

Violências: o município tem meta de 100% de unidades com notificação contínua de violência (meta 2.1.1).

Condições nutricionais: vulnerabilidade à desnutrição e à transição nutricional.

8.4. Idosos

A população idosa (60+ anos) soma 2.823 pessoas (10,0% do total), com tendência de crescimento acelerado - fenômeno documentado no Caderno 01 (Perfil Demográfico). As vulnerabilidades específicas incluem:

Doenças crônicas: maior prevalência de hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias.

Dependência funcional: necessidade de cuidadores, adaptação domiciliar e acesso a medicamentos de uso contínuo.

Isolamento social: especialmente em comunidades rurais, onde o idoso pode estar distante da família e dos serviços.

Mortalidade prematura (30-69 anos): a meta 6.1.2 foca na redução da mortalidade pelas 4 principais DCNT, atingindo a faixa etária pré-idosa.

9. Síntese: como os determinantes sociais afetam a saúde

A tabela a seguir sintetiza as relações entre os determinantes sociais e os problemas de saúde identificados no município:

DeterminanteCondição no municípioAgravos de saúde associados
SaneamentoCobertura insuficiente (monitoramento de água <100%)DDA, parasitoses, hepatite A, leptospirose
EducaçãoIVS muito alta vulnerabilidadeGravidez na adolescência (30%), baixa adesão a programas
RendaEconomia agrícola, alta informalidadeInsegurança alimentar, barreira de acesso ao SUS
HabitaçãoDéficit habitacional (predomínio rural)Doenças respiratórias, acidentes domésticos, vetoriais
AlimentaçãoTransição nutricional em cursoDesnutrição infantil, sobrepeso adulto, DCNT
TerritórioComunidades rurais, quilombolas, ribeirinhasAcesso reduzido, barreiras logísticas, sazonalidade

A interação entre esses determinantes é cumulativa: a mesma família pode conviver com saneamento precário, baixa escolaridade, renda insuficiente e habitação inadequada, acumulando vulnerabilidades que se potencializam mutuamente. O IVS de 0,549 é a expressão numérica dessa acumulação.

Indicadores correlatos do quadriênio

Os números recentes consolidados a partir das bases locais municipais ajudam a dimensionar o impacto dos determinantes sobre a carga de doença. A população do IBGE passou de cerca de 26.881 em 2022 (cálculo a partir da variação de 1.389 habitantes desde então) para 28.270 habitantes em 2025. O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registrou 146 óbitos em 2022, 140 em 2023, 159 em 2024 e 154 em 2025, com crescimento marcante das causas externas (de 18 para 41 óbitos/ano), capítulo CID-10 fortemente associado a vulnerabilidade socioeconômica e a contextos rurais com transporte precário. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registra 1.323 notificações consolidadas, dominadas por outros acidentes em local não especificado (W64, 570 notificações), contato com animal e planta venenosos não especificados (X29, 237), fatores relacionados a condições de trabalho (Y96, 162) e agressão por meios não especificados (Y09, 82), que somados expressam o peso de exposições ocupacionais e do território rural amazônico sobre a saúde da população. A população operacional cadastrada no e-SUS AB municipal soma 33.636 cadastros ativos sem óbito, em 16 unidades com PEC e 29 equipes, refletindo a capacidade territorial da APS para alcançar populações dispersas.

10. Problemas identificados

P1. IVS de 0,549 (muito alta vulnerabilidade) como condição estrutural. O IVS de muito alta vulnerabilidade não é um problema isolado do setor saúde; é uma condição estrutural que afeta todos os determinantes analisados. A SMS, isoladamente, não pode alterar o IVS, mas pode e deve articular ações intersetoriais e priorizar as populações mais vulneráveis na alocação de recursos e na organização dos serviços.
P2. Saneamento básico insuficiente. A meta de monitoramento de 100% das amostras de água (meta 7.2.1) reconhece implicitamente que a cobertura atual é inferior a 100%. A insuficiência de saneamento (abastecimento de água tratada, esgotamento sanitário e coleta de resíduos) é provavelmente o determinante social com maior impacto direto sobre a carga de doenças infecciosas e parasitárias no município. A ausência de dados detalhados de saneamento no diagnóstico é, em si, um problema.
P3. Gravidez na adolescência em patamar elevado (30%). A proporção de gravidez na adolescência de 30% é significativamente superior à média nacional e está associada a baixa escolaridade, acesso insuficiente a métodos contraceptivos e vulnerabilidade socioeconômica. A meta do PMS para 2026-2029 (31,90%) indica manutenção do patamar, não redução expressiva, o que sugere dificuldade de intervenção sobre as causas estruturais.
P4. Populações quilombolas e ribeirinhas com barreiras de acesso potencializadas. A distância dos serviços, as condições de transporte e a vulnerabilidade socioeconômica acumulada nessas populações exigem estratégias específicas de APS (equipes itinerantes, ACS locais, vacinação de campanha) que demandam recursos adicionais e planejamento logístico diferenciado.
P5. Transição demográfica e nutricional simultânea. O município enfrenta simultaneamente: base da pirâmide em retração (menos crianças), topo em expansão (mais idosos) e transição nutricional (desnutrição infantil coexistindo com sobrepeso adulto). Essa tríplice transição exige reorganização das linhas de cuidado, com ampliação da atenção ao idoso e ao manejo de doenças crônicas, sem reduzir o investimento em saúde materno-infantil.
P6. Dados insuficientes sobre determinantes sociais no diagnóstico. A análise dos determinantes sociais é prejudicada pela ausência de dados municipais detalhados sobre saneamento, educação, renda e habitação nos instrumentos de gestão consultados. A incorporação desses dados ao diagnóstico do PMS - a partir do Censo 2022, do SNIS e do CadÚnico - é condição para que o planejamento seja efetivo na redução das desigualdades.
P7. Necessidade de articulação intersetorial. A maioria dos determinantes sociais analisados está fora da governabilidade direta da SMS. A redução do IVS e a melhoria das condições de saúde exigem articulação com as secretarias de Educação, Assistência Social, Infraestrutura, Agricultura e Meio Ambiente, além de parcerias com o governo estadual e federal. O PMS deve prever mecanismos formais de articulação intersetorial.

Fontes: IBGE (Censo 2022 e estimativas), IVS/IPEA, Data Warehouse Akapu, DGMP, RDQAs e RAGs 2022-2025, PMS 2026-2029 (DOMI), Lei Orgânica Municipal, propostas de emendas parlamentares 2026.

Assessoramento Akapu Saúde

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.

Legislação Citada

A base normativa abaixo deve ser lida em conjunto com as normas específicas citadas no corpo do Determinantes Sociais. Os links apontam para fontes oficiais de consulta pública na internet.

NormaEmenta curta / uso no cadernoLink oficial
Constituição Federal de 1988Arts. 196 a 200 - base constitucional do SUShttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Lei no 8.080/1990Lei Orgânica da Saúde - organização, competências e planejamento do SUShttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
Lei no 8.142/1990Participação social e transferências intergovernamentais no SUShttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm
Lei Complementar no 141/2012Aplicação mínima em ações e serviços públicos de saúde, fiscalização e controlehttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm
Decreto no 7.508/2011Regiões de Saúde, Mapa da Saúde, planejamento regional e organização das redeshttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm
Portaria de Consolidação GM/MS no 1/2017Normas sobre organização e funcionamento do SUS; Título IV dos instrumentos de gestãohttps://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0001_03_10_2017.html

Fontes de dados

  • IBGE - Censo Demográfico 2022 e estimativas populacionais municipais usadas como denominadores.
  • DATASUS - sistemas SIM, SINASC, SINAN, SIH/SUS, SIA/SUS, CNES, SISAB e SIOPS, conforme pertinência temática do caderno.
  • DigiSUS Gestor - Módulo Planejamento (DGMP) - instrumentos de gestão municipal e registros de monitoramento do ciclo anterior.
  • Data Warehouse Akapu - bases públicas e bases locais tratadas para análise histórica, com data de consulta registrada no corpo do caderno quando disponível.

Glossário técnico

TermoDefinição operacional
Análise de Situação de Saúde (ASIS)Leitura técnica das condições de saúde, da rede e dos determinantes sociais que fundamenta o Plano Municipal de Saúde.
Data Warehouse AkapuAmbiente analítico que consolida bases públicas e locais para gerar séries históricas e indicadores de apoio à gestão.
Mapa da SaúdeDescrição geográfica da distribuição de recursos humanos, ações, serviços e indicadores de saúde em uma região.
Plano Municipal de Saúde (PMS)Instrumento central de planejamento do SUS municipal para o período de quatro anos.
Programação Anual de Saúde (PAS)Desdobramento anual do PMS, com ações, metas e recursos previstos para cada exercício.
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